quinta-feira, 18 de agosto de 2011

As coisas do costume.

Fui passear até ao viveiro. Trouxe sardinheiras. A nossa varanda já está mais portuguesa.

Hoje, finalmente, o calor amainou, amanheceu o dia mais fresco, enevoado, choveu e tudo, mas já se pode andar nas rua sem ter de ir pelas ruas de sombra.

Parece que agora os desacatos são por causa da vinda do Papa. Lá que o avião de terça-feira estava mais cheio, estava, mas desacatos, aqui, só quando gritaram "GOLO!" duas vezes ali em baixo no bar, mas depois calaram-se, não houve foguetes nem nada, e foi tudo para casa sem fazer barulho. Se calhar foi por causa do Real ter levado do Barça, mas os espanhóis desta zona são pacatos. Vamos ver se eles não dão conta que andaram a pagar aos portugueses o papel higiénico branco e amarelo que vão atirar à cara do senhor...

(bem vistas as coisas, os espanhóis são do mais crente que há, na Páscoa está o país parado para poder ir tudo ver as procissões, e fazem-se tantas como as vacadas em Portugal, em Agosto. Só mesmo um mexicano para se lembrar de começar com as confusões...)

Hoje aponta-se no calendário a data da morte de Garcia Lorca (acho de mau gosto dizer "celebra-se o aniversário da morte de...", ou "celebra-se o aniversário do terramoto que atingiu Lisboa". É mau, pronto!). Sai também um livro que aponta uma outra teoria. Há a teoria relacionada política, a mais habitual, a que diz que o mataram por ser homosexual, um escândalo na altura (e crime!), e agora surgiu a hipótese de ser relacionada com desavenças entre a família dele e uma outra, chamada... Alba.
Pelo que li, parece-me muito plausível, os pormenores encaixam bem.
O corpo, bem, nunca foi encontrado.


2 comentários:

Maria disse...

Achei curiosa essa história do Garcia Lorca, mas mais curioso ainda foi o facto de existirem protestos em Espanha, pela ida do Papa a esse país, noustros hermanos não se ficam quando acham alguma coisa incorrecta, acho bem. Já em Portugal e apesar da crise recebemos o papa com um microfone de ouro e missas e mais missas, e sandalinha Parda. Assim se vê as diferenças entre nós e os Espanhois .

marta, a menina do blog disse...

Só há protestos na Plaza Sol, o resto de Madrid está sossegadinho da vida. Acho que já deve ser mais por hábito.

A maioria dos espanhóis até considera uma honra receber o senhor (apesar do dinheiro que o Estado gasta com isto...) e não se queixa muito, até metem as bandeiras religiosas na janela.

Isto tudo começou com o incentivo de um mexicano, é pouco provável que fosse um espanhol a começar, até porque não ia querer ofender a sua madre e a sua abuela (as mães e as avós são bastante religiosas, por estes lados...).

Aqui há uma relação com os "ultramarinos" parecida com a nossa com o excesso de brasileiros que chegaram a Portugal há uns anos - veio muita gente para trabalhar e melhorar as condições de vida, mas veio também muita gente para aproveitar as facilidades, nomeadamente não trabalhar e receber toda a espécie de subsídios que o Estado lhes disponibiliza.

E, isso sim, custa dinheiro ao Estado, em Portugal, e custa dinheiro ao Estado, também em Espanha...