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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

A casa na floresta.

Ora digam lá se não era um sítio tranquilo para se estar a ler um livro à janela, com uma chávena de chocolate quente ao lado, e a ver a trovoada cá fora.

Era ou não era?


terça-feira, 10 de novembro de 2015

O choque e a vila.

Deram-me ganas de voltar às lãs, um dia destes.

Não sei se sou eu que acho que tenho tempo livre (ahahahahahahah!!), ou se foi a chuvinha (tempestade sim senhor) que caiu no outro dia.

O que é certo é que deram-me ganas de lãs, e de procurar uma retrosaria aqui por estes lados.

Lá a descobri, e fiquei um bocado chocada.

Para começar, é numa espécie de shopping ali na vila, que tem... para aí umas 8 lojas, sendo que só quatro estão a funcionar, mas uma delas é só ao fim de semana.

Depois, é uma loja 2 em 1, numa versão alternativa ao negócio familiar: de um lado, é loja de chaves e arranjos e pequenos electrodomésticos, do outro é retrosaria. Há a louvar, no entanto, o pormenor de ter cada uma a sua decoração e o seu estilo, o que quer dizer que o esposo não se deve ter atrevido a opinar acerca do que a esposa devia ter ou não na loja...

Tem também um horário alternativo, o que quer dizer que só está aberta quando apetece à senhora que está ao balcão, o que quer dizer "aberto a horas indeterminadas e o almoço são três horas porque vou buscar os netos à escola, dar-lhes o almoço e levá-los outra vez e ainda tenho meia hora para fazer um bocadinho de zumba".

Ah, e temos que referir que ao balcão está uma pensionista, que serve pensionistas e que vende coisas que as pensionistas querem das retrosarias, tipo linhas de crochet douradas para fazer os rebordos aos panos e oferecer para o enxoval das filhas e das netas no Natal, uma variedade de tecidos excelentes para fazer batas de pensionistas, botões para camiseiros para levar à igreja ao Domingo e aquelas barras para meter nas prateleiras da despensa, em bordado inglês estilo princesa Diana 1985, sendo que botões coloridos não existem, lãs giras também não, e muito menos ponchos feitos à mão a enfeitar o estaminé.

De modos que, quando lá entrei, euzinha, calças de ganga, botas de comando, t-shirt por cima da blusa de manga comprida, com a criança a dormir no carrinho e umas lãs azuis e cor de rosa, para encontrar uns botões catitas para aquilo, só me apeteceu fazer mais duas tatuagens, meter um daqueles brilhantes na sobrancelha, que coragem para piercing é coisa que não me assiste, levar a saia da loja de artesanato com as botas de comando, uma rodada de hena no cabelo, uma pulseira no tornozelo, umas quantas latas de tinta, uma vassoura, um berbequim, um homem cheio de força, umas quantas caixas de lãs super fixes e apelativas, móveis em segunda mão, mas no máximo até aos anos 70, não quero cá ficar encalhada com mamarrachos dos anos 80 ou, pior, dos anos 90, tipo sapateiras e bares de sala com o balcão e as prateleiras para as garrafas e os copos de balão e o espelhado atrás!, e uma data de agulhas coloridas e de vários tamanhos, não há cá nada das metálicas tamanho 1 a 3, botões de madeira e às cores e de vários tamanhos, uma prateleira com livros e revistas alusivos, e dar uma reviravolta àquela cena toda!

Ah, e metia uma mesinha toda catita com cadeiras desirmanadas e um sofázito com a manta dos quadrados no lado da janela, para as clientela entrar, sentar-se, tomar um chá (também à disposição), e arengar um bocadinho sobre livros e pontos e a vida numa tarde de chuva à beira mar!


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

E mais Miguel Sousa Tavares...

No final da adolescência, tinha tanto entusiasmo pela profissão de jornalista que, em vez de ter uma mala de ombro normal, como a das raparigas, tinha uma daquelas malas de levar as máquinas fotográficas reflex, das básicas, da fnac, em azul seco, muito gira, que me durou até cair de podre. 

Claro que, nessa altura, já andava na faculdade, os cursos de jornalismo estavam na moda, tal como a televisão, e o pessoal queria o curso de jornalismo para ficar depois sentado numa cadeira em Carnaxide a apresentar as notícias, depois de espetar a faca nas costas a meio mundo e de lamber as botas a outro meio (descobri que, na educação, é a mesma coisa, e fiquei escandalizada - eu era uma miúda muito fresquinha... - pela forma traiçoeira como se portavam algumas colegas de turma que, supostamente, iam ensinar valores, que não tinham, a meninos pequenos. Não, ainda hoje me escandaliza!), não era cá José Rodrigues dos Santos com o colete castanho, que vai com o Lusitânia até ao outro lado do mundo, e que faz com que a juventude do país largue tudo para estar ali à hora certa a ver o telejornal, e veja tudo até ao fim, mesmo a reportagem da amnistia internacional que dava todos os dias, não é Paulo Camacho que se enfia pelo Paris-Dakar fora, não é Maria João Ruela que leva um tiro na perna pela causa, não é Miguel Sousa Tavares num jipe pelo deserto fora com o caminho apontado num mapa a marcador.

Pois, o Miguel Sousa Tavares, outra vez.

Quero lá saber que o homem seja agora um idiota.

O que é certo é que me deu ganas de ler o Equador, e não é cá em pdf por causa de ter um curso de professora e a criatura ter chamado palermas aos professores que, ofendidos (há professores que são palermas, é um facto, afinal...), disponibilizaram tudo neste formato.

A menina cá da casa gosta é de livros de papel.

Mesmo que tenham o tamanho de uma almofada.





segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O que eu gosto mesmo é de ser saloia!

Venha cá a minha praia, deixem-me mas é estender ao sol (e, muitas vezes, vento), caminhar de uma ponta à outra da vila, experimentar cafés e respirar este iodo!








terça-feira, 6 de julho de 2010

Estou deitado sobre o lado esquerdo, de olhos fechados, imóvel, mas não estou adormecido nem sequer sonolento. É a minha posição de invocar-te, de poder esvaziar o espírito para receber a tua presença imaginária. Nesta imobilidade tomo muita consciência do meu corpo. O joelho direito pesa-me sobre o esquerdo. Osso com osso faz doer. Questão de dois centímetros, procuro uma almofadinha de músculo e fico bem. As mãos estão unidas, dedos juntos, palma contra palma, como um suplicante do século catorze. Unidas e entaladas entre a face esquerda e o colchão. Mas os dedos mindinho e anelar da mão direita começam a ficar ligeiramente dormentes. Não quero mexer-me mas tem de ser. Levanto a mão no ar, abro e fecho abro e fecho abro e fecho, pensar-se-ia que te digo adeus. Mas não. Nunca te direi adeus meu amor, e a mão volta para o seu lugar.

Agora podes vir. Quero que desmanches a tua trança, que espalhes os cabelos louros, frisados, imensos, sobre o meu rosto, que roces os teus seios nas minhas costas, que deslizes por cima de mim, que me inundes no teu singularíssimo perfume.

Ele está a espreitar-me. Sei que está. Não preciso de abrir os olhos para sentir uma alteração na luz. Isto acontece quando ele cola a testa ao postigo de vidro fingido da minha cela para saber o que se passa aqui. Sei que ele está lá porque intercepta a luminosidade da manhã tentando certificar-se de que estou a dormir. Ele gosta que eu esteja a dormir para ter o prazer de me acordar com dois berros. Hesita. Tão quieto assim só bem desperto ou morto. Os adormecidos movem-se no sono, mastigam o cuspo, murmuram.

Enquanto o meu guarda-enfermeiro-carrasco espera que eu adormeça para me chamar em seguida, tu desvaneces-te, não queres testemunhas do nosso sagrado momento de amor. Voltarás mais tarde, talvez na primeira alvorada, para me embalares na tua nudez, na tua paixão, na tua piedade.

Agora finjo que durmo. Volto-me com um resmungo, deixo cair um fio de baba pelo canto da boca.

Ele entra.

O doutorzinho está à tua espera, lazarento.

Já ouvi falar deste novo médico que pergunta o mesmo a todos, foste violado pelo pai, abandonado pela mãe, sentes culpa na morte de um amigo. Não, não, não, respondem todos e ele fica num beco sem saída, não pode consubstanciar as suas teorias, não pode provar nada, não pode curar ninguém.

Interroga-me num gabinete demasiado pequeno com o ar condicionado no máximo e tenho frio, não consigo pensar, dar respostas coerentes, quero estar nos teus braços, beijar a tua boca de ameixa doce e sumarenta como no tempo em que, e o doutorzinho, que idade tinha quando morreram os seus pais, como é que reagiu, sente-se culpado, e eu, ninguém morreu, nunca ninguém morre, só quem nós matamos na memória, no pensamento e no coração.

claro, mas não é isso, o que perguntamos é se, tenho frio, viu o seu pai morto, a sua mãe, algum irmão, diga-nos o que sentiu senhor Pedro Santa Clara. Não senti nada, fui eu que os matei no coração no pensamento e na memória, porque tenho a memória o pensamento e o coração ocupados com outras coisas.

tente lembrar-se, não me lixem os cornos, queríamos perceber a sua infância, estou cansado, alguém abusou, vá para o caralho, doutor, com o seu Freud desenterrado, o seu plural majestático e a sua psiquiatria de compêndio, tenho a certeza de que você é que levou no cu aos seis anos, pra cima de mim não

o senhor Santa Clara não precisa de me ofender, acalme-o, senhor enfermeiro, eu

cala-te, cabrão, se não queres ir para a cela à prova de som metido numa camisa-de-forças, o senhor doutor só te quer ajudar minha besta

tenho frio, quero o colete-de-forças, este doutorzinho saído dos cueiros não percebe nada, não sabe quem eu sou

pois, já sabemos que és o D. Pedro, maluco de merda, responde ao senhor doutor, responde, responde, responde, responde

Mas eu não quero responder, não me quero tratar, só quero os teus olhos atlânticos, verdes, transparentes, senhores de todos os segredos, de todos os feitiços, de todas as paixões, tira-me daqui, leva-me, embala-me, adormece-me, deixa-me pousar a cabeça no teu colo de garça, nas tuas coxas perfumadas, começo a gritar Inês, Inês, Inês, Inês, Inês, espetam-me uma injecção ao acaso no corpo que se debate e suavemente surges do nevoeiro com a tua trança luminosa, os teus seios de nácar, as tuas ancas de deusa e ao som de cantos gregorianos que enfeitam a penumbra, deixas que me apoie na seda dos teus ombros para atravessar, mísero, estropiado e chorando, as ogivas da minha solidão.

A princípio achávamos que era apenas uma coincidência, Pedro e Inês e os seus amores contrariados, depois, com o decurso dos acontecimentos e o progresso da minha loucura comecei a pensar que eu devia ser a reencarnação de D. Pedro I, o Cru, mas agora tenho a certeza de que sou o próprio rei, o que não descansa, o que não dorme, o que arrasta a amada pelas noites fantasmagóricas do seu reino, o que manda acender fogueiras para aquecer-lhe o corpo gelado, pela morte, segreda uns, pela paixão perdida, afirmam outros.

Não me juraste tu, Inês, que nada conseguiria separar-nos? Como puderam os esbirros de meu pai pensar que te matavam, que matavam este amor sem fronteiras, sem tempo, sem espaço, materializado de onde em onde na história, na eternidade, no coração dos homens?

Somos, para sempre, da vida e da morte, para sempre, para sempre, para sempre, somos senhores do tempo, escravos do tempo, a droga que me enfiaram nas veias envolve-me agora nos seus tentáculos quentes e sábios, leva-me pelas ruas da eternidade, por onde é dantes, é depois, é agora, passado e futuro onde perenemente te encontro, te amo, te venero e te conduzo à morte e enlouqueço.

“A Trança de Inês”, Rosa Lobato Faria


sábado, 10 de abril de 2010

Chegou inequivocamente a Primavera!

Quando me dá uma vontade súbita de meter gerberas em casa!
(coisas nova, assim, do nada!)
Ficaram lindas!!
Amarelas!

E vermelhas!


Como não podia deixar de ser, uma ideia que se cruze comigo resulta sempre numa situação caricata.

Neste caso específico:

Fui buscar as gerberas à florista aqui da rua.
Nada mais normal.
Mas precisamente o molho de flores amarelas e vermelhas estava reservado para fazer a coroa de um senhor que vai ser enterrado hoje.
É o que dá ter também um cemitério na rua, se calhar...

Bem, olhem, paz à sua alma, que ao menos as flores dão alegria aos vivos, foi por uma boa causa...

WTF, flores vermelhas numa coroa de funeral??


quinta-feira, 4 de março de 2010

Verdade Universal #1.

Um dia muito bom é construído de pequenas coisas boas.
Não é preciso caminhar para longe, não são precisos feitos inomináveis.
Um dia muito bom pode ser feito de todas as coisas pequenas que nos rodeiam, mas que para alguém valem o mundo inteiro, e pode ser algo ao alcance das nossas mãos, dos nossos passos, mesmo ali ao nosso lado.
Hoje foi um dia mesmo muito bom.
Mas, agora que reparo nisso com atenção, os outros também são muito bons.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Gosto...


J'aime Quoi ?


A densenvolver num próximo post, um dia destes, quando dispuser de tempo e de cabeça para me sentar à frente das teclas com uma das gatas no colo e outra a tentar saltar-lhe para cima porque também se acha no direito de ter colinho, e entretanto vou fazer umas coisitas que gosto, que é ouvir a banda sonora da Amélie, comer uma gamela de chocapic do pingo doce e seguir para o meu turno do voluntariado no Hospital.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Andar para a frente andando para trás.

Aumenta cada vez mais aquela sensação estranha de que não pertenco a este tempo.
Acho perfeitamente natural, um dia destes, entrar por uma porta qualquer, e dar conta que, de repente, mudei de século.





quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Não podia deixar passar o dia sem uma breve nota.

A velhice era uma coisa relativa. Disso já ele se tinha apercebido, ao olhar em redor.

Aquilo que, para uns é algo a ser valorizado, algo honroso, para outros não passa de lixo.

Olhava para a imagem que via no rio que passava suavemente.

O Rapaz Águia há muito deixara de ser um rapaz.

Fora jovem. Fora homem. Fora guerreiro. Fora pai. Fora mestre.

E agora era um ancião.

(É o texto que estou a acabar para a Fábrica de Letras e Palavras. Deixo-te um excerto!
PARABÉNS!! Estou sempre por cá!)








Não tenho palavras, além das dela.

"Lembro-me de lhe ter dito, Pareces um cisne e ela respondeu a limpar a boca às costas da mão, Sou um cisne. Sou o cisne da história do tio Zebra, aquele que parecia um intruso no meio das aves do lago, um patinho feio cheio de sonhos à espera que lhe caíssem aquelas penas pardas e baças, curioso de saber o que estaria por debaixo. Ainda tenho muitas penas baças, disse ela e sentou-se na borda da mesa de madeira grossa com o pucarinho na mão, arredondou a anca ao inclinar-se para analisar os próprios tornozelos, sem perceber a minha perturbação deslumbrada. Não te vejo nenhuma pena baça, disse eu à falta de melhor, o que eu queria dizer-lhe era Amo-te, desejo-te, morro de cada vez que me olhas, as tuas mãos macias como asas de pena doce despertam em mim o som de mil cordas de violino, ou é o rumor branco do meu sangue a soluçar."
"Os Pássaros de Seda", de Rosa Lobato de Faria.



Que fique a memória e o futuro.
Ela, agora, está onde queria estar.
Ao menos isso.
E nós ficamos tão pobres!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Festa das Luzes.


É dia de acender velas por toda a casa!
É dia de sonhar com tardes de sol e manhãs de brisa do mar e piqueniques debaixo da sombra de árvores antigas!
É dia de agradecer o que temos - que é tão bom!! - e pedir humildemente saúde e amor para aqueles de quem nós gostamos.
É dia de soltar as energias positivas todas.
É dia de limpeza! Da casa, das prateleiras, da despensa, do roupeiro, dos papéis, da cabeça!
É dia de dar um abraço apertado a quem gostamos, e de nos lembrarmos como são importantes na nossa vida.
Mas isso também podemos fazer todos os dias!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Aha!! Encontrei!

Mesmo como deve ser!
A imagem para a front page aqui da loja!
A Wendy Darling, da história do Peter Pan.
A contadora de histórias.
Tem tudo a ver!
Gostei mesmo desta!!


domingo, 17 de janeiro de 2010

Juro! Só meti duas doses de cafeína, hoje!

Fui só ali, e pimba! Outro!
Pareço o N. a comer gomas de ursinhos, caray!

Escrever...

Foi um dia inspirado.
Duma assentada!

Plantaram-lhe uma torga à cabeceira.

É inútil resistir.
Por detrás das muralhas da vontade
Mora o desejo, a força que as derruba.
Deixa que nasça, avoluma e suba
Esta maré de seiva e de ternura.
A grandeza do homem, criatura
Que cresce enquanto ama e pode amar,


É saber
Que só depois do gosto de pecar
Lhe vem o gosto de se arrepender.

Miguel Torga, "Terra Humana"
S. Martinho da Anta, perto de Vila Real de Trás-os-Montes, 12 de Agosto de 1907
Coimbra, 17 de Janeiro de 1995