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quinta-feira, 2 de maio de 2013

A psicopata do chuveiro e a cagadela pestilenta, entre outras (novas) aventuras da casa da árvore.

Ora Madrid já ficou para trás, agora é ver se a tugalândia não nos dá cabo do pouco que resta da sanidade.

A viagem correu bem: chegamos lá para levantar a carrinha e lembram-se, naquela altura, de informar que a bichita não pode sair de Espanha... Também o mamarracho com rodas que era, uma pessoa até fica mais descansada de não ter de se meter lá dentro, mas adiante, lá foram umas horitas de viagem, Doña Zozas Francisca queixou-se um bocado, cruzes credo, tanto movimento, Bani Tsunami queixava-se quando o carro parava, nunca se agrada a todos, é uma verdade...

Infelizmente, o Puto teve de voltar, que os sacanas dos manolos gostam de gozar os seus feriados com pompa e circunstância, mas daqui a uns dias já o tenho cá por casa, o que quer dizer que me tenho andado a entreter a transformar uma casa que era possuidora de um Labrador que deixou as paredes todas PRETAS!!! num ninho fofinho e mimimi, mas que vai andar ainda uns dias sem cortinas, que o bricolage que envolve fazer furos certinhos nas paredes deixo para o Puto, que é coisa para a qual não tenho assim tanta vocação...

Nos entretantos, esteve cá a sogra com um aspirador que só lhe falta falar, Zozas Francisca volta a aderir à modalidade de me fazer companhia na borda da banheira, durante o banho, que esta tem cortina em vez de vidro, Sodona Bani largou uma poia que cheirava tão mal que quase a suicidei da janela abaixo, ganhei uma entrevista com o pedante mais autoritário e lerdo da cidade, logo o que me havia de calhar na rifa, e temos no canteiro da sala outra pomba com mais um ninho com dois ovinhos, está a sardinheira espanhola ali a apanhar sol no parapeito da casa de banho até a pomba a deixar ir para lá...

Além de que estou viciada em meter recuperador de móveis em todo o lado, é uma fatalidade...


quinta-feira, 3 de março de 2011

Eu sou uma mááááá mãe!

Zozas Maria gosta de ir à rua passear e dar porradinha ao cão Vidinhas que faz oito dela mas que é um parolo que só quer é festa e dançar com Maria Amélia.

Zozas Maria e eu temos uma combinação: está frio como o raio, por isso, a sôdona vai lá à rua às sua voltinhas, sim senhor, mas a porta fica fechada, e quando ela quer voltar, dá uns sinaizitos na porta, que é como quem diz, umas arranhadelas personalizadas.

Ora o oposto também acontece.

Isto é, Zozas Maria vem para dentro, mas depois muda de ideias e quer voltar para o laréu.

Vai daí, é arranhar a porta pelo lado de dentro e eu a mandá-la sossegar para não atormentar os vizinhos.

Infelizmente - para ela, é claro, que estava lá fora com o rabiço ao frio e à mercê de um cão-pequeno-boi-QI-de-lagartixa-das-bem-lerdazitas-coitadas - a menina do blog estava distraída com o mimimi - é mais parva e com sorriso tonto - e achava que ela já tinha entrado e estava a arranhar a porta para ir para a galdérice, quando se passava exactamente o contrário....


Má mãe, mááááá!!!



Era uma vez uma viagem.

Que andava assim a modos que um bocado parada.
Tipo, era um vou-ainda-não-é-desta-aiaiai-quero-tanto-ir-mas-e-se...
E isto durante uns meses.
Isto é, apesar de já estar decidida a viagem, propriamente.
Só faltava mesmo a data e o raio dos pormenores.
Até que um dia saiu o "Porra, é ir e prontes!! Caray!!" (quem me conhece sabe o que a casa gasta! Não ter saído um visceral "chiça penico!" foi uma sorte!)
Vai daí, daqui a... hum... nove dias, mais hora menos hora, lá vai a menina do blog, de mala e mochila, fazer as emissões regulares de outro poiso!
Vamos lá ver onde a viagem nos leva.
Claro que só depois de tudo arranjado e combinado e resolvido é que demos por um pormenor...
"Epah... isto quer dizer que... Vamos morar juntos!!"
(Sei lá, torna a coisa oficial, ou isso?)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Segunda-feira de manhã, acordar.

Mentalizar-me: "É quase quase Sexta-feira!"

Levantar cedinho, dia cheio.
Limpeza grande na casa de vóvó - os primos chegam amanhã.
Durou até meio da tarde.
O resto devia ter sido consagrado a outras coisas, mas uma leitura sedenta contrapos-se, e não consegui largar.
Pelo meio, o vestido fofinho que mamãe andava a desejar.

Outro dia, levantar de madrugada, o dia ainda nem nasceu, engolir o café com leite, e arrancar directa ao aeroporto.
Avião atrasado à conta de uma senhora idosa que ia tendo um ataque do coração só de ver a grande besta onde se ia enfiar, mas correu tudo bem, e lá chegaram os miúdos, mais a dormir que acordados.
Chegada, a melguice do costume, conheceram a nova aquisição da família que, apesar do infeliz nome de Vidinhas quando podia ser Joe Berardo, continua a ser apelidado de Bolinhas por Maria Amélia.
(já referi que a bicheza tem o tamanho de um vitelo bem alimentado?)
Consulta, farmácia, marcação de exames, centro de emprego e está a tarde feita - consegui cumprir os objectivos para o dia.

Terminar com a arrumação da montanha de papéis da escola que ainda estavam por arrumar, os Himalaias no meu sofá.

Um extra.

Hora de deitar.

Podia estar de rastos.

Podia.

Mas tenho vontade de cantar e dançar e saltar e pular como o Tigre!

E daqui a pouco é Sexta-feira!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Trocados!

Este ano podia - finalmente!! - ir ver os Pearl Jam.

Não era o concerto que queria, não gosto de festivais, tocam só meia dúzia de canções, e paga-se um balúrdio pelos bilhetes, mas marchava, até estava virada para isso.

Mas decidi trocá-los por umas belas viagens a Madrid.

E foi a melhor ideia que tive!!

Pearl Jam tem de ser como no Restelo: duas horas só deles!!

E há-de vir o dia!




terça-feira, 6 de julho de 2010

Se não estivesse tão doente, tão fraco, tão desistente de tudo, gostaria de escrever as minhas memórias. Deixar ao mundo mais uma história inútil, de nenhum proveito e ainda menos exemplo.

Só assim à toa, para organizar as minhas recordações, uma papelada que funcionasse como uma terapia inventada por mim mas que talvez pudesse servir a médicos vindouros, ajudando-os a conhecer a errância de uma mente descontrolada, para compreensão, quem sabe, de outros infelizes como eu.

Agora que, segundo parece, a minha família (que família?) informada do meu estado de debilidade terminal, me paga um quarto particular, pensei ter a privacidade necessária para alinhavar uns mal-amanhados apontamentos.

E foi então que soube que a minha cabeça não aguentava o esforço, que o meu coração se rasgava em todas as escarpas do tempo, que o meu cérebro confundia tudo e viajava como uma nave alucinado por todas as esquinas da desgraça e dei razão ao povo que me chamou demente, ao psiquiatra que opinou que deviam arredar-me de uma sociedade civilizada, aos juízes da universidade que me excluíram, alegando aquele fatal um ponto sete de loucura na minha desafortunada genética.

Restas-me tu.

Resta-me amar-te ainda.

Recordar, como tinhas dito, do alto da tua soberba virgindade, virá uma noite em que seremos um.

E fomos. Como desde o princípio do mundo, fomos. Como tudo, como todos, fomos. Todos e tudo. Braços. Pernas. Tentáculos. Ramos. Lianas. Raízes. Avalanche. Vendaval. Relâmpagos. Vagas em fúria. Bichos e plantas. Peixes e pássaros. Estopa e veludo. Anjos. Adolescentes. Deuses. Feiticeiros com seus filtros. Sacerdotes com seu rituais. Imperatriz e valido. Rei e concubina. Diva e favorito. Patrão e escrava. Dama e prostituto. Jus prima nocte. Macho e fêmea. Mulher e homem. Pedro e Inês.

Inês, Inês, Inês, eternamente Inês.

E eu, Pedro, rei, filho de rei, pai e avô de reis, aqui te espero jacente na minha enxerga de louco, até ao dia em que, na hora da ração, lance a minha demência sobre os carrascos do nosso amor, e os sufoque e os morda e os mate e lhes arranque com os dentes o coração do peito e me abatam como a um cão doente de raiva, de esgana, de tinha, de vermes, à porta imprudentemente aberta da minha cela almofadada e alimentem com os meus restos processados a árvore mais enfezada do planeta-floresta e espalhem o meu sangue pelas lajes perenes e silenciosas da abadia e me sepultem no mausoléu da minha impaciência donde voltarei e voltarei e voltarei pelos séculos dos séculos para seguir de rastos a tua trança entretecida de luz.

“A Trança de Inês”, Rosa Lobato Faria


Estou deitado sobre o lado esquerdo, de olhos fechados, imóvel, mas não estou adormecido nem sequer sonolento. É a minha posição de invocar-te, de poder esvaziar o espírito para receber a tua presença imaginária. Nesta imobilidade tomo muita consciência do meu corpo. O joelho direito pesa-me sobre o esquerdo. Osso com osso faz doer. Questão de dois centímetros, procuro uma almofadinha de músculo e fico bem. As mãos estão unidas, dedos juntos, palma contra palma, como um suplicante do século catorze. Unidas e entaladas entre a face esquerda e o colchão. Mas os dedos mindinho e anelar da mão direita começam a ficar ligeiramente dormentes. Não quero mexer-me mas tem de ser. Levanto a mão no ar, abro e fecho abro e fecho abro e fecho, pensar-se-ia que te digo adeus. Mas não. Nunca te direi adeus meu amor, e a mão volta para o seu lugar.

Agora podes vir. Quero que desmanches a tua trança, que espalhes os cabelos louros, frisados, imensos, sobre o meu rosto, que roces os teus seios nas minhas costas, que deslizes por cima de mim, que me inundes no teu singularíssimo perfume.

Ele está a espreitar-me. Sei que está. Não preciso de abrir os olhos para sentir uma alteração na luz. Isto acontece quando ele cola a testa ao postigo de vidro fingido da minha cela para saber o que se passa aqui. Sei que ele está lá porque intercepta a luminosidade da manhã tentando certificar-se de que estou a dormir. Ele gosta que eu esteja a dormir para ter o prazer de me acordar com dois berros. Hesita. Tão quieto assim só bem desperto ou morto. Os adormecidos movem-se no sono, mastigam o cuspo, murmuram.

Enquanto o meu guarda-enfermeiro-carrasco espera que eu adormeça para me chamar em seguida, tu desvaneces-te, não queres testemunhas do nosso sagrado momento de amor. Voltarás mais tarde, talvez na primeira alvorada, para me embalares na tua nudez, na tua paixão, na tua piedade.

Agora finjo que durmo. Volto-me com um resmungo, deixo cair um fio de baba pelo canto da boca.

Ele entra.

O doutorzinho está à tua espera, lazarento.

Já ouvi falar deste novo médico que pergunta o mesmo a todos, foste violado pelo pai, abandonado pela mãe, sentes culpa na morte de um amigo. Não, não, não, respondem todos e ele fica num beco sem saída, não pode consubstanciar as suas teorias, não pode provar nada, não pode curar ninguém.

Interroga-me num gabinete demasiado pequeno com o ar condicionado no máximo e tenho frio, não consigo pensar, dar respostas coerentes, quero estar nos teus braços, beijar a tua boca de ameixa doce e sumarenta como no tempo em que, e o doutorzinho, que idade tinha quando morreram os seus pais, como é que reagiu, sente-se culpado, e eu, ninguém morreu, nunca ninguém morre, só quem nós matamos na memória, no pensamento e no coração.

claro, mas não é isso, o que perguntamos é se, tenho frio, viu o seu pai morto, a sua mãe, algum irmão, diga-nos o que sentiu senhor Pedro Santa Clara. Não senti nada, fui eu que os matei no coração no pensamento e na memória, porque tenho a memória o pensamento e o coração ocupados com outras coisas.

tente lembrar-se, não me lixem os cornos, queríamos perceber a sua infância, estou cansado, alguém abusou, vá para o caralho, doutor, com o seu Freud desenterrado, o seu plural majestático e a sua psiquiatria de compêndio, tenho a certeza de que você é que levou no cu aos seis anos, pra cima de mim não

o senhor Santa Clara não precisa de me ofender, acalme-o, senhor enfermeiro, eu

cala-te, cabrão, se não queres ir para a cela à prova de som metido numa camisa-de-forças, o senhor doutor só te quer ajudar minha besta

tenho frio, quero o colete-de-forças, este doutorzinho saído dos cueiros não percebe nada, não sabe quem eu sou

pois, já sabemos que és o D. Pedro, maluco de merda, responde ao senhor doutor, responde, responde, responde, responde

Mas eu não quero responder, não me quero tratar, só quero os teus olhos atlânticos, verdes, transparentes, senhores de todos os segredos, de todos os feitiços, de todas as paixões, tira-me daqui, leva-me, embala-me, adormece-me, deixa-me pousar a cabeça no teu colo de garça, nas tuas coxas perfumadas, começo a gritar Inês, Inês, Inês, Inês, Inês, espetam-me uma injecção ao acaso no corpo que se debate e suavemente surges do nevoeiro com a tua trança luminosa, os teus seios de nácar, as tuas ancas de deusa e ao som de cantos gregorianos que enfeitam a penumbra, deixas que me apoie na seda dos teus ombros para atravessar, mísero, estropiado e chorando, as ogivas da minha solidão.

A princípio achávamos que era apenas uma coincidência, Pedro e Inês e os seus amores contrariados, depois, com o decurso dos acontecimentos e o progresso da minha loucura comecei a pensar que eu devia ser a reencarnação de D. Pedro I, o Cru, mas agora tenho a certeza de que sou o próprio rei, o que não descansa, o que não dorme, o que arrasta a amada pelas noites fantasmagóricas do seu reino, o que manda acender fogueiras para aquecer-lhe o corpo gelado, pela morte, segreda uns, pela paixão perdida, afirmam outros.

Não me juraste tu, Inês, que nada conseguiria separar-nos? Como puderam os esbirros de meu pai pensar que te matavam, que matavam este amor sem fronteiras, sem tempo, sem espaço, materializado de onde em onde na história, na eternidade, no coração dos homens?

Somos, para sempre, da vida e da morte, para sempre, para sempre, para sempre, somos senhores do tempo, escravos do tempo, a droga que me enfiaram nas veias envolve-me agora nos seus tentáculos quentes e sábios, leva-me pelas ruas da eternidade, por onde é dantes, é depois, é agora, passado e futuro onde perenemente te encontro, te amo, te venero e te conduzo à morte e enlouqueço.

“A Trança de Inês”, Rosa Lobato Faria


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Sem rancores!

A menina do blog faz das suas...


O terraço da Casa Encendida.

Cristiano Reinaldo was here!

Edifício Metropolis.

Palácio das Belas Artes.

La Casa Encendida.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Este fim-de-semana começa um bocadito mais cedo!!

Todos os segundos se aproveitam!!

Logo meto as fotos.

(Parque Juan Carlos I, Madrid, pic by Ric.)

(uma bicicleta, que não a minha - lá alugam-se de borla!)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Não percebo... Juro que não percebo...

Aparentemente, o Verão acabou de começar.
O dia soalheiro e escaldante parece provar isso mesmo.

Mas, então, porque é que já me apetece o Outono, as castanhas, os dióspiros, as abóboras, as folhas vermelhas e castanhas e a estalar debaixo dos pés, as broas acabadas de sair do forno, a névoa fusca da manhã, aquela camisola de lã e o dia das bruxas?

O Outono é, de longe, a minha estação do ano preferida.

E este Outono vai ser bem giro!!

Quem é que vai laurear a pevide este fim de semana, quem é?

O mais recente da Juliet Marillier!!!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Às vezes, parece que é só abrir a porta.

E já lá estou.

"Ainda chove por aí?"

"Não, não, acabou de passar uma nuvem, choveu bastante, mas agora está sol! E aí?"

"Esteve a chover, também, mas já está a parar. Olha, agora está a ficar sol, também!"

Parece que não são 900 quilómetros de distância, mas que estamos na mesma cidade.

As borboletas andam constantemente aos voltarejos no estômago, cada vez que penso nele, ou seja... a cada segundo...

Não gostei da experiência das 3 semanas longe, achei que custou muito a passar, mas já me está a parecer que duas semanas é coisa para se estender também, e por muito que invente e por muito que me desdobre, os minutos custam cada vez mais a passar.

Mas sexta-feira está a chegar, é já amanhã, e passa num instante.

E vale bem a pena a espera!!

Está-me também a parecer é que esta coisa dos 900 quilómetros terá de ser reduzida.

Para aí para meio milímetro.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Day 15 - A song that you listen to when you’re happy




Lisa Hannigan - Pistachio

Foi por causa de uma estrada, uma tarde de sol, uma amiga que me apresentou isto e um puto adormecido no banco de trás.

Hoje é também um dia bom para ela.

Por aqui, por enquanto, há pouco sol, mas vamos ver mais logo.

Até aposto que consegue iluminar a noite!