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terça-feira, 2 de junho de 2015

Beto-gate #462765763: quatro rodas e afins.

A cidade onde nasci é o lugar com maior número de betos por metro quadrado neste país.

Há betos em todo o lado.

Há betos no jardim escola, na primária, no ciclo e no liceu.

Os cafés são para os labregos, que também temos, mas para o beto, é a pastelaria.

Há no Pingo Doce (também, o que é que não há lá?), na Modalfa, no Lider, na Suicide, na Pájoana, na rua, na igreja (aos Domingos, sem falta, para verem se a vizinha ainda anda com a mesma blusa que tinha ontem quando foram comer uma duchesse ao Império), na feira rural, na biblioteca, na Câmara (aqui, aliam o estatuto de beto ao de tios e primos e filhos da senhora da junta e afins) mas, acima de tudo, na hora de ir buscar os beto-catraios à escolinha da Conquinha.

É que, beto que é beto, mete o filho na escola da Conquinha, para depois empacotar o trânsito e a vida a toda a gente quando vai buscar os minis nos seus bm's e mercedes, mesmo que morem a 100 metros do raio da escola!

Nota: a Conquinha é o supra-sumo dos betos. Pobres dos desgraçados que não aspiram a betos e que vão lá parar porque moram na área. Digo eu, que lá andei...



Também temos um presidente da Câmara todo festivaleiro, que gosta de andar a arengar com os habitantes da sua cidade, e entrar pelas lojinhas todas para cumprimentar as pessoas e acordar cedinho aos Domingos para fotografar as ruas vazias de gente e cheias do sol da manhã, e disso nem todas as cidades se podem gabar.

Nesta imagem, foi apanhado a laurear a pevide e a distribuir folhetos no meio da nossa feirinha rural que, como podem ver, está sempre à cunha!

terça-feira, 17 de março de 2015

Critério do absurdo #57634856


Enquanto as pessoas normais têm como parâmetro de escolha de um par de calças de ganga o estilo, a marca ou a cor, cá por estes lados, o critério é: "se consigo vestir e despir as calças com as sapatilhas calçadas, sim, estas estão perfeitas para mim!"



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

E mais Miguel Sousa Tavares...

No final da adolescência, tinha tanto entusiasmo pela profissão de jornalista que, em vez de ter uma mala de ombro normal, como a das raparigas, tinha uma daquelas malas de levar as máquinas fotográficas reflex, das básicas, da fnac, em azul seco, muito gira, que me durou até cair de podre. 

Claro que, nessa altura, já andava na faculdade, os cursos de jornalismo estavam na moda, tal como a televisão, e o pessoal queria o curso de jornalismo para ficar depois sentado numa cadeira em Carnaxide a apresentar as notícias, depois de espetar a faca nas costas a meio mundo e de lamber as botas a outro meio (descobri que, na educação, é a mesma coisa, e fiquei escandalizada - eu era uma miúda muito fresquinha... - pela forma traiçoeira como se portavam algumas colegas de turma que, supostamente, iam ensinar valores, que não tinham, a meninos pequenos. Não, ainda hoje me escandaliza!), não era cá José Rodrigues dos Santos com o colete castanho, que vai com o Lusitânia até ao outro lado do mundo, e que faz com que a juventude do país largue tudo para estar ali à hora certa a ver o telejornal, e veja tudo até ao fim, mesmo a reportagem da amnistia internacional que dava todos os dias, não é Paulo Camacho que se enfia pelo Paris-Dakar fora, não é Maria João Ruela que leva um tiro na perna pela causa, não é Miguel Sousa Tavares num jipe pelo deserto fora com o caminho apontado num mapa a marcador.

Pois, o Miguel Sousa Tavares, outra vez.

Quero lá saber que o homem seja agora um idiota.

O que é certo é que me deu ganas de ler o Equador, e não é cá em pdf por causa de ter um curso de professora e a criatura ter chamado palermas aos professores que, ofendidos (há professores que são palermas, é um facto, afinal...), disponibilizaram tudo neste formato.

A menina cá da casa gosta é de livros de papel.

Mesmo que tenham o tamanho de uma almofada.





quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O Destino é fOdId0.

O P. andou no meu liceu.

Era giro, tipo estrela de cinema, saído do Beverly Hills.

Alto, cabelos claros, lisos, franja a cair-lhe na testa, olhos grandes, lábios carnudos.

Andava metade do liceu todo aos pulos por causa dele.

Depois, cresceu, casou-se com uma rapariga normal que, um dia, teve uma pancada na cabeça e lucianabreuzou-se, depois arranjou como amante uma daquelas brasileira que veio para arranjar marido rico e de outra.

Agora que passou dos 30, continua com a mesma altura que, quando eu tinha 1.35m era muita, mas agora já não é e, para mal dos pecados dele, está um barrigudo careca.

É mesmo um retrato daqueles que a gente pensa "Cruzes, credo, será a mesma pessoa??"

(sério, ver os meninos bem lá do liceu faz bem ao ego de uma pessoa, aquilo anda do piorio! A betada toda podre, e os cromos cheios de estilo, quem havia de dizer!)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Nos anos 90 não havia Justin Bieber.

No liceu onde eu andava, regra geral, o mundo estava dividido entre betos e não-betos.

Os betos eram uma espécie de amostra da série Beverly Hills, na parte das poupas e das farpelas à maneira, mas não tanto, porque não havia o batalhão de maquilhadores atrás para encher de base uma borbulha repentina, ou avisar que o batom vermelho tinha esborratado os dentes.

Não sei o que era pior, sinceramente.

Mas nos anos 90 conseguíamos distinguir entre os que eram rapazes e as que eram raparigas, e agora confesso que, às vezes, tenho alguma dificuldade...

Para as nossas mãe também era um sossego, uma vez que a mesma mochila dava para mais de um ano, não precisava de ser de marca, e se tivesse aspecto de ter feito os Estados Unidos de costa a costa, cheia de rabiscos a marcador preto e autocolantes, mais cool!

As fotografias nos cadernos eram mais limitadas, tirando um ano em que fizeram uns muito giros (e mais caros...) com os anúncios dos anos 50 da Coca-Cola, e perfeitamente acessíveis, até ao dia em que me lembrei que era muito mais giro (e depois percebi que consideravelmente mais barato!) comprar cadernos de capa preta e decorá-los eu própria.

Devo ter sido a única pessoa a ter sido possuidora de cadernos com mapas, reportagens de viagens e recortes de fotografias do Rudolph Valentino, caray...