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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Profissões que me dariam um gozo enorme ter, onde calculo que me sentisse realizada e compensada, e onde veria com olhos mais tranquilos os desaires do dia-a-dia:

. Escritora. Mas daquelas secretas, que escrevem e até publicam, mas que não têm de tingir o cabelo de loiro e ajeitar as bochechas à Castelo Branco, nem de fazer a campanha autárquica da coisa e ganhar músculo a dar autógrafos e a sorrir para as fotos. Se bem que a parte do viajar pelo mundo (megalómana, pah!) não me desagrada.

. Livreira ou Bibliotecária. Atentem, não é funcionária de uma daquelas lojas que têm uma data de porcarias E livros, lugares impessoais e frios, onde um livro é apenas mais um produto para vender, ali ao lado dos sacos de papel do continente e das capas da kitty e da nova gente, tipo fnacs e bookits. Tinha de ser qualquer coisa tipo Sá da Costa ou Pó dos Livros. Uma livraria aconchegada, com armários, eles próprios, com as suas histórias, recheados de livros, um cantinho com cadeirões, mesa, almofadas, tapete, chá, biscoitos (não têm de ser macarons!) e gatos, onde uma pessoa se pode sentar tranquilamente com o seu livro, a repousar e a sonhar pela janela fora. Perfeito, perfeito, seria um edifício antigo. E com jardim!

. Funcionária do Ministério de Educação encarregada de escolher os livros para o Plano Nacional de Leitura. Ler o dia todo, estendida na praia, na relva do quintal, no sofá, em cima do pufe, gatos à beira e litradas de chá à disposição. E ainda ganhar um ordenado por isso. Uau!

. Professora, quem sabe, mas preferia que os catraios viessem de casa já educados, e que o Ministério não nos pedisse tantos formulários preenchidos, para me dedicar àquela coisa na qual é suposto os professores se focarem, que é ensinar coisas giras e interessantes aos miúdos que querem aprender e crescer. Gosto do 1º ciclo, mas também não me importava de experimentar o 2º.

. Professora de História da Universidade, que nas férias faz uns biscates in loco. Ok, ainda tenho de ir tirar aquela lista de cursos que tenho há séculos na agenda. Não me consigo decidir entre Idade Média, Descobrimentos e Egiptologia, uff!! Aqui, também não se descartavam as viagens pelo mundo. Sempre tive cá dentro um Indiana Jones de mala a tiracolo com uma agenda com conhecimentos interessantes e cheia de areia das pirâmides, que tem andado por estes dias a dar-me umas pantufadas e a perguntar que merd@ ando eu a fazer na vida. Escrever policiais, aventuras, romances de cordel e outras histórias seria uma hipótese a considerar, nesta situação.

. Operadora. Trabalhar num call center e ter imensa informação parva e extremamente inútil, porém divertida para poder ser autora de mais uma blog-novela de êxito. Espera........


(Tenho os Muse em altos berros como banda sonora quando estou a escrever, para não ouvir a histérica do andar de baixo a desatinar com o marido. Sinto-me como a autora do Twilight. Autch!)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Escrevo, logo existo.

Depois de uma história de amor daquelas de deixar sorrisos parvos na cara (ó pra ela tão modesta!), estou agora entretida com outras que são mais ou menos, outras em que enveneno pessoas, ou lhes corto a cabeça, ou mordo o pescoço, ou enveneno mais um bocadinho ou, vá, as meto felizes para sempre com a sua metade da laranja.

O que é uma obra de grande envergadura, porque a sogra veio passar cá uma semaninha, e é preciso ter um grande jogo de cintura para me conseguir concentrar em rever as calinadas de teclado que escapam nos textos, passear até mais não, e meter o crochet e a conversa em dia!

Daqui a uns dias, depois de dar conta destas histórias como deve ser (ou seja, imprimir tudo como deve ser e enviar tudo como deve ser, ai Jazuz!), lá volto eu ao meu belo policial, para decidir como vou envenenar a próxima vítima.

E, claro, hoje foi dia de eliminar mais uns quantos personagens fictícios e cozinhar coisinhas pipis, tudo ao mesmo tempo, que é para provar, com todas as letras, que sim, cá as gajas conseguem fazer coisas absolutamente opostas ao mesmo tempo, e não pensem que isto vai ser dia do Valentim (Loureiro?) cá por casa, que vamos ter sogra e colega de trabalho para o jantar, e a namorada dele em vídeo-conferência, que é para não haver o azar da desgraçada ter de cheirar essa coisa horrorosa que são os coentros!



terça-feira, 23 de outubro de 2012

Uma pessoa sabe que está em casa quando...

Apanha uma foto qualquer de Madrid numa página qualquer, já não tem papas na língua para dizer exactamente em que sítio é, e ocorrem-lhe logo uma mão-cheia de boas recordações do lugar.

Nesta, Plaza Sant'Ana, Barrio de Las Letras, no centro de Madrid, não muito longe da Plaza Sol.


Ah... a Tia Cebolla, a Piedra de la Luna, a Pompeia, o Villa Rosa...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Be an animal. Também dava para esta publicidade.

Afinal, os animais têm o instinto nato de amar.

Já os humanos, às vezes são umas bestas sem sentimentos.

(sim, não tenho respeitinho nenhum por quem abandona um animal. "Ah e tal, ladra muito", "ah e tal, tem pêlo!" Trolles!!)


(qual é o plural de troll, caray??)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Lascas da nobre mas esquizofrénica vidinha de professor neste país.

Só este ano lectivo sou a terceira professora naquele lugar.

Achava eu.

Afinal, sou a quarta.

A primeira arranjou um emprego na área dela, que tinha a ver com a engenharia agrónoma.

A segunda foi colocada ali à porta, horário de 14 horas, com possibilidade de fazer ali um part-time que recusou.

A terceira foi-se embora em lágrimas ao final do primeiro dia....

Hoje, a nº 2 rescindiu contrato com uma escola do estado porque não tem cabeça para aquilo.

Vou agora para Madrid, calhou ser pela aventura, porque até estou a gostar bastante deste trabalho - mal pago, é certo, mas adoro os miúdos e a variação, é um ambiente meio doido, mas saudável e animado, e o meu patrão disse-me que está cheio de pena, porque fui a que se encaixou melhor ali...

E eu fico a pensar...

Ou somos nós que, às vezes, temos forças que desconhecemos para enfrentar estas coisas...

Ou então, há a hipótese de sermos completamente doidos e alucinados...

Uma delas!



Era uma vez uma viagem.

Que andava assim a modos que um bocado parada.
Tipo, era um vou-ainda-não-é-desta-aiaiai-quero-tanto-ir-mas-e-se...
E isto durante uns meses.
Isto é, apesar de já estar decidida a viagem, propriamente.
Só faltava mesmo a data e o raio dos pormenores.
Até que um dia saiu o "Porra, é ir e prontes!! Caray!!" (quem me conhece sabe o que a casa gasta! Não ter saído um visceral "chiça penico!" foi uma sorte!)
Vai daí, daqui a... hum... nove dias, mais hora menos hora, lá vai a menina do blog, de mala e mochila, fazer as emissões regulares de outro poiso!
Vamos lá ver onde a viagem nos leva.
Claro que só depois de tudo arranjado e combinado e resolvido é que demos por um pormenor...
"Epah... isto quer dizer que... Vamos morar juntos!!"
(Sei lá, torna a coisa oficial, ou isso?)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"Vem o senhor", Rosa Lobato Faria.


Choro por ti suspensa entre dois mundos. Acorrentada a ti por laços de sangue e vento. Este é o pranto de Maria Telles, que chora não as próprias lágrimas, mas as tuas. Não a sua vida na morte, mas a tua morte em vida.

Agora, tu não sabes, sou o pão que comes, a água que bebes, o ar que respiras. Sou as tuas mãos e os teus pés e, se te sentes cansado, é porque sempre cavalgo nas tuas costas, abraçada a ti, com dedos de ferro cravados no teu peito, falo-te ao ouvido, sou a tua voz e o teu pensamento, dissolvida em ti, o único paraíso que sei.

Se me mataste, foi para melhor viver em ti, como tanto desejava nos meus dias de carne, nos dias em que pressentia os teus passos no silêncio do claustro, e amaciava o leito e alisava o linho dos lençóis e punha o escabelo a jeito, e trocava as toalhas e desatava as vestes e abria o corpo e sustinha o coração no peito, e dizia, num sopro de exaltação e febre,

Benta, vem o senhor.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Era uma vez...

... o Era uma vez, as histórias enrodilhadas dentro de baús de memórias, dos passarinhos que arrancam olhinhos de luto pelo João Ratão, de Pedros que são malandros, de Joãos que são espertos, de Manuéis que são tolos, de Marias que são mais espertas que todos eles, da Comadre Morte que é honrada, das princesas bonitas que têm fúrias e atiram os sapos contra as paredes e só depois de de verem que era um príbncipe jeitoso é que o beijam, das meninas boazinhas que afinal são grandes aldrabonas e das irmãs más que afinal são mas é ingénuas, das lenga-lengas e trava-línguas que meteriam os terapeutas da fala todos no desemprego, das histórias contadas ao colo, ao ouvido, junto da lareira, a fiar, a desfolhar...
Foi a primeira de três conferências que dão início ao projecto "Fabrica das Histórias - Casa Jaime Umbelino"
Com Ana Umbelino, da Câmara Municipal de Torres Vedras, a Professora e Escritora Ana Meireles, e a fantástica contadora de histórias Maria Teresa Meireles!



A Fábrica das Histórias ainda não tem casa de tijolo e cimento e telhado e janelas e portas.
Tem estrutura de histórias e sonhos e sombras e desejos e vontade de trabalhar, e muitas mãos para a ajudar a levantar e crescer.
Tem escritores e ilustradores e poetas e escultores e fotógrafos e arquitectos e criadores nos olhos e mãos de todos nós, e até mesmo os mais pequenitos contribuem para a fazer crescer!
Por agora, à falta de paredes concretas, cresce-se por todos os lugares.
E porque não, afinal?





domingo, 14 de novembro de 2010

Jantar de aniversário de Mamãe.

O lugar tinha música ambiente.

Música bem velhinha.

Aos primeiros acordes, sai-se a minha meia-irmã com esta:

"Esta música lembra-me sempre a Marta. A Marta dos bons velhos tempos."

A original. A da mochila às costas. A que quer descobrir este mundo e o outro.

É bom saber que somos sempre assim, no fundo.

Mesmo que, às vezes, o possamos esquecer, nós - e os que gostam de nós também - conseguimos ler a nossa essência e lembrá-la com o som de uma música antiga de meados da adolescência!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eu tenho boas intenções. Tenho mesmo.

Até tenho os livros ali em cima da mesa de cabeceira...

Mas acabo sempre por agarrar as mesmas cenas...

E lá foi o "Pride and Prejudice" outra vez...












domingo, 1 de agosto de 2010

Estou neste preciso momento na beirinha da cadeira, e a porra da gata ainda me mete a patinha quente nas costas, a ver se caio.

Isto era a torre dos cd's, com o seu conteúdo espalhado pelo chão da sala (ao lado do apelidado "pézito muy guapo" ena ena!!) por ocasião da descoberta do facto de, afinal, isto não se poder agarrar por cima.

Gasosas, a Pestilenta, aka Zoza, que neste momento mudou de posição aqui na cadeira e que decidiu lamber vigorosamente as partes baixas, aproveitou para chamar a atenção para o exemplar do David.

O neptuno tem um sentido de humor igualzinho ao do S. Pedro, como se pode constatar pela imagem acima apresentada.

Só se vê o suficiente para não andarmos às cegas. É típico aqui da terra.

O Freddo Capuccino. Até a espuma marcha!

Paragem para ver os aviõezitos.

E mais outra para espreitar o jogo de hóquei.



Maré vazia.


Uma nova amiguita.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Qual deles?

De qual é que gostas mais?


De todos e, se pudesse, trazia-os todos para casa.

Se pudesse, salvava-os todos.

Os animais, apesar de toda a sua natureza "selvagem", conseguem ser mais humanos que algumas pessoas.

Resta saber que, por causa das suas atitudes e decisões, algumas pessoas ganham também um peso extra no seu karma, mas não é isso que apaga o mal que fazem.

No dia a dia, podemos apenas fazer o melhor que sabemos, tendo consciência de que não podemos fazer tudo, de que não conseguimos alcançar tudo, mas há sempre mais alguém como nós, e melhor ainda.

Hoje enterrámos um dos gatos do abrigo.

Ficou debaixo do pinheiro, a olhar para o campo onde costumava andar.

Não consegui nenhuma foto dele. Era esquivo.

Achava-o parecido com uma das minhas gatas.
Tinha mau feitio, não gostava de se chegar, era selvagem.
Tinha o pêlo parecido, as orelhas, o formato da cabeça.

Gostava de festas na barriga, derretia-se todo, e no pescoço e no queixo.

Ficou como se estivesse a dormir.


terça-feira, 8 de junho de 2010

Devo ser a única pessoa num raio de muitos muitos quilómetros

que, quando vai experimentar umas chanatinhas todas mimimi mesmo à menina ali na sapataria do fim da rua, derivado de começar a estar calor para se andar de sapatilhas, tem câimbras nos dedinhos dos pés.

E apanha com uma camadona de dias de chuviscos logo a seguir.

Mas estamos em Junho ou quê, caraças??