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terça-feira, 26 de março de 2019

Deixei um pedaço do coração na Madeira.

É impossível andar pelas ruas do Funchal e não viajar no Tempo. Seria necessário bem mais que a meia dúzia de dias que lá estive para correr tudo à vontade, mas senti-me em casa assim que comecei a laurear a pevide pelas calçadas e pelas ruelas. E há muita ladeira para subir.

Não se consegue apontar o dedo ao que preferimos, se os parques, cheios de Primavera em flor, se as quintas, se as ruas características, se a pedra negra, as portas do tempo das Descobertas com que nos cruzamos em cada esquina, as flores, se a paisagem, se o mar, se o colorido de vozes e pessoas, já falei nas flores?

Voltei, mas com a sensação de que lá vou voltar...

(e vim de lá inspirada para escrever e para jardinar, com apontamentos na agenda e umas quantas sementes locais... Medo!)





























terça-feira, 28 de outubro de 2014

Ah, pois é, a criança já está por cá!

Ganhámos uma Ana Clara no dia 15 de Outubro, 3600grs e 50, 5 cms de fofinheza, tem os pés de macaquinho da mãe, mas são bem feitinhos como os do pai, os olhos são de mamãe, mas o resto é tudo papai, está tudo ainda meio atordoado, estamos super-babados, é uma bebé muito mimada, muito esperada e muito bem recebida!

(Tragam-me um bidão, isto é só baba a escorrer!)


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

38 semanas e a contar.

Pois tenho andado uma baldas com o(s) blog(s), não tenho genica nenhuma para a blogosfera, estou naquela do "há já tanta porcaria por aí, que eu não ando aqui a fazer nada", mas o facto é que também não ando a fazer nada em mais nenhum sítio (só a crescer, evidentemente), e o farmville já me está a derreter os neurónios, pelo que vou mandar o raio da quinta ao ar, enquanto não chega o dia em que esteja a cavar numa quinta com as minhas árvores e os meus ESPARGOS!! e umas galinhas e umas cabrinhas, até porque se avizinha que, nos próximos tempos, os bocadinhos livres são para meter o sono em dia e mandar fotos de pais babados às avós e aos tios e aos"tios" emprestados....

Ora, resumindo esta coisa, assim numa de diário mensal (ganhei um nos meus anos, em Abril, para registar as maluqueiras todas, para depois a cachopa ver o que a casa gasta...), eis o que temos:

1º mês: não se dá por nada, é um facto, até ao dia em que, mais ou menos a fazer as contas, falta ali qualquer coisa, e as mamas ficam esquisitas. Quando bate, ficamos um bocado parvos, mas no bom sentido, do tipo sorrir para o nada, mesmo a passar por maluquinho dos carretos.

2º mês: estive com o turno da tarde lá no trabalho, o que quer dizer que era qualquer coisa das 14h às 23h, o que quer dizer que, em vez dos enjoos matinais, fui daquelas pessoas abençoadas com os enjoos ao final do dia, nomeadamente quando vinha a alta velocidade e aos solavancos no 36 para casa... Consegui não chamar o Gregório vez nenhuma, e muitas não têm a sorte de se poder gabar do mesmo. Nos entretantos, a minha sogra estava danada para ir visitar a família aos Estados Unidos, embicou que queria ir nos anos dela (em finais de Setembro...), nós estávamos para ir também, mas lá o marido arranjou uma desculpa mais ou menos convincente.
De referir que, de cada vez que a minha sogra me via, olhava para a barriga a ver se já lá estava alguma coisa (tipo, assim da noite para o dia) e perguntava quase sempre quando é que vinha aí um neto ou neta, e esta passou-lhe mesmo ao lado.....

3º mês: Lá contámos a novidade à família e no trabalho, 2 dias antes do prazo previsto, porque fui misteriosamente atacada por uma borbulhagem qualquer e tive de ir ao hospital levar uma injecção. No trabalho teve de ser, porque já se começava a notar a pancinha, e umas colegas (as tias adoptivas) já estavam assim a olhar-me de esguelha e a oferecerem-se para fazer coisas mais pesadas... Fica a simpática atitude da supervisora de serviço, que ainda me perguntou, apesar de eu já estar toda vermelha das borbulhas na cara, se eu não queria antes terminar o meu turno e ir depois às urgências...

4º mês: É daquelas fases em que a médica nos dá um caixote de vitaminas para tomar, nos manda fazer uma montanha de análises, lá passa uns comprimidos miraculosos para o enjoo, que também podemos dar aos cães, quando fazemos viagens longas, temos as tias a tentar adivinhar que aquelas duas bolinhas na ecografia são os testículos a descer, ainda conseguimos ir a um concerto dos Silence 4 (o primeiro a 3), ainda não nos arrastamos e podemos fazer caminhadas como antes, e em que a médica se passa porque temos gatas e eu não tenho nenhuma intenção de me "livrar" delas, apenas controlar os pêlos e os saltos nos lugares onde está a piolha indefesa (sim, porque estas gatas são doidas, eu já as conheço, além de que a destreza felina e o discernimento são ZERO, e isso inclui janelas só com uma greta aberta porque uma delas pode saltar à maluca, e velas apagadas porque a outra, mais felpuda, dá saltos suicidas para cima e chamusca o pêlo), além de que estamos a engordar 1,5 kg por mês, o que vai estoirar lá com a tabelinha irreal dos 10 quilos ao final da gravidez.
A médica veio com a história do "ah e tal vai fazer a  amniocentese, não vai?" e mete lá um ok (já estou nos 37), mas não explica à mãe de primeira viagem como é que, em termos práticos, a coisa funciona, o que lhe dá mais uma bruta camadona de ansiedade e pelo que a mãe vai ver à net - GRANDE ERRO!!! - e depois esclarece-se com a médica que iria fazer o exame. De forma simples e descomplicada, informa: se o bebé tiver alguma coisa incompatível com a vida, o organismo elimina-o (dasse!! estes médicos!), se for compatível com a vida, vocês decidem se querem continuar com a gravidez ou não. Obviamente, mandámos a amniocentese dar uma volta ao bilhar grande, voltei a conseguir dormir descansada e tive a confirmação de que esta gente é toda doida, falar numa coisa destas a pais que, desde que sabem que a coisita pequena lá está, tem vida e vai ser uma pessoa, nós só cá estamos para ajudar o melhor que pudermos.

5º mês: Já sabemos que é uma piolha, afinal as bolinhas não eram os testículos a descer, eram os ovários a ir lá para o sítio deles. É o delírio lá em casa: do lado dos meus sogros, há 2 filhos rapazes e um neto rapaz, do meu lado está mais equilibrado, mas já se sabe que estas avós são uma malucas pelas netinhas fofinhas com uma data de mariquices cor de rosa, e o meu irmão mais novo ajuda à festa. 
Já consigo sentir as primeiras mexidelas, o que é uma coisa assim do outro mundo. Ok, parecem gases, se não soubermos o que é, mas a coisita pequena cada vez se torna mais gente, já não está escondida dentro da barriga.
A pérola deste mês da médica foi "não toque na barriga, porque pode provocar contracções", o que é coisa para deixar uma mãe de primeira viagem nos píncaros da ansiedade até à consulta do próximo mês...

6º mês: Lá escolhemos o nome, lá continuamos a aproveitar para passear enquanto não rebolo, já tenho de arranjar roupa de mamã e arrumar as t-shirts que não sei quando me hão-de servir outra vez. A cachopa cá está feita peixinha no seu saco amniótico, a dar umas patadas e a cravar peças em sítios estratégicos, como aquele músculo aqui do lado direito, impossibilitando a mãe de rir, respirar à vontadex e de se mexer como as pessoas normais.

7º mês: A mamã de primeira viagem é apresentada à dor ciática e fica meio entrevada durante umas semanas, além de manifestar uma certa dificuldade durante a noite no passar da posição decúbito lateral esquerdo para outro decúbito lateral qualquer porque já estou farta de estar virada para este lado. Nesta altura, muitas outras mães informam (só agora, caray!!) que padeceram do mesmo, mas foi coisa que durou um mês, pelo que não deve ter sido uma ciática lá muito convincente, mas o facto é que as ancas desencaixaram-se e fiquei com um andar novo, salvo seja...

8º mês: Por esta altura, já está quase tudo mais ou menos alinhavado: já temos na casa da minha sogra o berço de uma prima, que já passou por mais não sei quantos bebés e vai passar por este também, ganhei a apetência por tirar fotos com abóboras, o assunto carrinho/ovo/alcofa está resolvido, bem como roupinhas para os próximos meses, mantas oferecidas e feitas por avós e amigas,  lençóis, coisas com gatinhos, lençóis, enfeites, botinhas, babetes, tudo enfeitado com felinos, coisas cor de rosinha e etcéteras. Comprei para aí uns 3 babygrows com animais, e uns babetes muito giros com os dias da semana e um animal em cada um. E livros de histórias...
Basicamente, desvairei-me na C e A, na H e M, na Modalfa, na Primark e numa lojinha lá em Torres Vedras que dá vontade de trazer TODA!! para casa. 
E hoje vi num blog um macacão de ganga de uma marca xpto igual ao que estava na Modalfa... mas 3 vezes!! mais caro...
Ainda não sei a diferença entre um babygrow para usar de dia e um de pijama, mas a piolha vai andar quentinha, prática e confortável (além de bastante maricas, graças às avós e às tias). Tenho ordens para não deixar a miúda sair do hospital sem levar na cabeça a fita oferecida pela prima L., mesmo que não tenha cabelo nenhum...

9º mês: Obrigaram-me a vir para casa. Não que não gostem de mim lá no trabalho, ou que já não estivessem a olhar com deleite a perspectiva de um parto no call center (descansem, temos pelo menos dois médicos e uma enfermeira de serviço!), mas porque a pessoa tem de descansar antes da criança nascer, já que depois tem de estar a 100% para a meia leca. Ainda apanhei um dia de greve de metro, o que quer dizer quase duas horas em pé ou encostada ao lancil (sim, há paragens sem bancos!) à espera de um autocarro que não parou, e eventual desistência, mas já me consegui habituar a fazer as coisas com mais calma e a meter o sono em dia.
A mala já está pronta, já foi vista e revista, já fomos conhecer a maternidade, já andamos nas andanças de "ctg's" e "toques", já fiz bolos porque é o que faço quando me aborreço em casa, já fiz o bolo de despedida e fui ter com os colegas do trabalho, já tirei fotos para o outro blog, agora é só esperar a data surpresa...
(só nervos, caray! hoje vou enfardar um cachorro cheio de ketchup, que é para me distrair!)

E também ajuda actualizar os blogs!


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Então, que é feito?

Pois, podia ter emigrado para a China, onde aparentemente não há net que se veja, mas não.

Deu-me só a ronha - durante uns largos meses..... 

...de escrever, que é coisa que só posso justificar com o lufa lufa de Lisboa e com um grande entupimento dos canais cerebrais com o belo do ruído da cidade, a enchente de carros, a falta de árvores (meus meninos, Lisboa só tem uma amostrazita raquítica de árvores, não se iludam!), a falta de maneiras da maioria das pessoas, a falta de tempo, perdido em esperas por autocarros, esperas no trânsito, esperas por sinais vermelhos que passem a verde, esperas por motoristas que conheçam mais mudanças que primeira e segunda, horários malucos lá no trabalho, mais uma formação e mais uma camada de apólices e procedimentos no cérebro... enfim, ando com o cérebro feito em papas de sarrabulho, só me apetece é ir viver para o campo ao pé da praia, acordar com passarinhos e o vento nas folhas das árvores em vez de um autocarro a descer ali a ladeira que nem um maníaco e, inevitavelmente, em qualquer dos casos, uma gata com o olhar psicótico-estive-a-observar-te-a-noite-toda-espero-que-não-haja-problema ao meu lado na mesa de cabeceira.

Nos entretantos, ora deixem cá ver... fui até Braga, fiz muitas coisas típicas, tipo ir ao Bom Jesus (isso, sim, é um jardim!) e comer a francesinha da Taberna Belga, fui até Sintra com a sogra e uma excursão de pensionistas, fui até ao Palácio de Queluz (está muito bem de árvores, sim senhor), continuo com os horários macacos, vou ter férias sei lá quando, e cancelámos por enquanto os planos de ir para o campo ao pé da praia porque a descendência resolveu opinar e aparecer quando lhe deu na real bolha, o quer quer dizer que os próximos meses vão ser bastante divertidos, vou andar a crescer que nem uma bolinha, mas tirem a ideia de isto vir a ser mais um baby blog, que não vai ser.

Estão a ver ali a bolinha cor-de-rosinha?

Ah, pois é, vem aí uma mini-me...

Vem com o signo do pai, não se estraga tudo.

Mas já percebi que a sacaninha também gosta de dormir atravessada, tal como mamãe...


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Toledo - Parte 1.

À beira do Tejo temos cascatas e azenhas que serviam para aproveitar a água.

Uma foto croma...

Toledo quer dizer ruelas...

E mais ruelas, algumas com surpresas...

O momento em que o combóio virou numa curva... e apareceu esta imagem!

Imaginem a excursão de japoneses que ia ao pé de nós, tudo a tirar fotografias...

Ahá!! Depois de ver um filme do Roman Polanski com o Johnny Depp que tem uma parte em Toledo com uma Livraria, achei que, obviamente, seria muito fácil encontrar livrarias por lá.
Não é.
E depois vi toda a gente entusiasmada e a tirar fotos, mas na direcção contrária.
Adivinhem lá porquê...

Porque a livraria está numa ruela estreitita... de frente para a Catedral...

(em que eu não tinha reparado, claro, o meu neurónio parou quando vi a livraria...)

Na judiaria.

Um delírio: o massapão, doce típico de Toledo, e a montra cheia de bonequitas e miniaturas, a imitar os trabalhos das monjas na preparação do doce!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Exposição Heroínas, do Museo Thyssen-Bornemisza.



Safo de Lesbos, a poetisa.
The Crystal Ball, Waterhouse.

Circe, do Waterhouse.

The Lady of Shallot, Waterhouse.

Out flew the web and floated wide-
The mirror crack'd from side to side;
"The curse is come upon me," cried
The Lady of Shalott.

(The Lady of Shallot, Tennyson)



The Magic Circle, Waterhouse.

Saint Eulalia, Waterhouse.

John William Waterhouse é o meu pintor preferido. Ainda não conhecia ao vivo nenhum quadro dele, só aqueles para os quais me babo nos livros que falam de Pré-Rafaelitas.

E, só hoje, conheci estes cinco!

(o da Safo é um bónus, achei-o lindo!)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

E cá estamos já em meados de 2011!

E a gerência sem actualizar o bloing, francamente!!
Ora, actualizações, cá vão!
Mudámos a barraca, coisa que envolve, precisamente, muita mudança!
Ele é caixotes, é cortinados, é livros (a minha cunhada ainda se benze destes!!), quadros, gatas, e afins; ele é pinturas e falta de fichas, e esta porra não funciona, ó caray!, parece que temos de arranjar mas é um novo; ele é os sacanas do gás, os sacanas da edp, os sacanas do smas, é tudo grandes sacanas e ladrões e chupistas; ele é as festas, e os catraios no centro o dia todo, e os feriados, e a desdobrar-se de um lado para o outro na família, e a gente a remoer "Deus, não dá jeito esta cena das 24 horas, vê lá se dá para encaixar para aí mais umas 40 pelo meio, mazé!", e pouco mais.
Recebi um belo envelope da Biblioteca porque, tecnicamente, me atrasei com a entrega dos livros mas, na realidade, não os consegui entregar porque os sacanas abrem a porta às 10h da manhã e fecham às 6h da tarde e não há ninguém com vida própria quer lá consiga meter os pés dentro entre esse horário!
E estou a ficar de mau humor porque o puto veio para ficar 3 semanas e tem sido a rambóia que se pode, mas está a acabar.
Isso é que me lixa o juizo, pah!!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Coisas que passam ao lado - Parte 2.

É feriado em Madrid.

Dia da Santa Almudena, que é tipo o 13 de Maio cá do sítio, mas com feriado a sério para toda a gente, não é só em Lisboa num dia, no Porto no outro e em Fátima noutro ainda, e só porque vem cá o Big Boss do Vaticano.

Ah, precisamente, veio cá o Papa!

As pessoas normais vão ver o Papa em Lisboa E depois em Madrid também, que é aqui mesmo ao lado.

As pessoas a quem as coisas passam ao lado aproveitam um feriado extra de sol para se enfiar na praia, ou em casa a recortar cartões para os gaiatos da escola, ou têm a bela ideia de se enfiar num combóio cujo destino é Toledo.

Coisa que não aconteceu, que esta primeira experiência com a renfe correu pior que com a CP, benza-os Deus e o Papa e a Santa Almudena!

Ora, visto isto, enfiámo-nos na mesma num combóio, e fomos parar a Aranjuez!!

E sem Papa!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Saudades.

Distância.

Longe.

Tão longe.

Muito longe, longe demais quando queremos aqui.

Mas vai passar num instante!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O tralho. A imagem.

Olhai e vede, senhores, a marca das pedras da calçada!

Agora tenho os dois joelhos negros.

Evidentemente, de fim de semana, vou laurear a pevide de corsários, que tapam as nóideas negras nos DOIS joelhos!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O Tralho.

Pois é, cabeça no ar, tralho no meio da rua.

Qual foi a primeira coisa que a menina do blog fêz?

Tirou fotos da marca da pedra da calçada que me ficou no joelho!

Ficou bem bonita!

domingo, 25 de abril de 2010

Enjoy the Ride.

(porque é divertido saltar nas poças de lama sem medo de se sujar. Que é uma coisa que, de facto, acontece, mas lá que não deixa de ser divertido, não deixa!)
Ai, que ainda nem consigo respirar direito!! =)


segunda-feira, 8 de março de 2010

O fim de Lizzie.

“Uma antiga namorada disse uma vez que eu tinha o ar de quem passou algum tempo no inferno e está ainda um pouco chamuscado; mas era mais comum dizerem-me que tinha um aspecto felino.
A descrição não me desagradava.
Alto, magro, de olhos azuis, rosto de traços felinos. Suponho que as mulheres sempre me acharam bem parecido, ainda que o ar de ter passado algum tempo no inferno fosse um pouco inquietante. Mas as mulheres gostam de sentir medo.”

“O fim de Lizzie”, de Ana Teresa Pereira.

Foi este o pequeno excerto que me revirou a cabeça e acelerou o sangue.
“Há qualquer coisa em ti que não compreendo”.
Talvez compreenda um pouco, afinal.
Porque há qualquer coisa em ti que me é estranhamente familiar.
Como se já cá estivesse.
Como se já fizesse parte de mim.
Desde sempre.
Desde antes de tudo.
Os pontos só se conseguem ver quando olhamos para trás. Talvez daqui a algum tempo olhe para esse momento e perceba como se encaixou perfeitamente na cronologia dos meus dias.
Tenho um livro dela na estante há anos, oferta de uma leitora ávida, a Z., que teve a intenção de partilhar este mundo mágico comigo.
Peguei-lhe algumas vezes, e logo o larguei.
Eu, que não sou capaz de recusar um livro!!
Dizem que há uma época para tudo.
Creio que tenha sido isso.
Agora é a época da Ana Teresa Pereira.
A minha, talvez.
Sinto que sou capaz de devorar todos os livros!