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domingo, 24 de fevereiro de 2019

Dica de vida de mãe #538647567:

Tempo que é permitido a uma mãe de duas crianças pequenas para fazer um bocadinho de meditação ou aspirar a três ou quatro posições básicas de ioga para esticar os músculos e tentar meter no lugar as vértebras que deslocamos a fazer agachamentos com uma criança de 11 quilos ao colo:


12 segundos.

Mai nada.

Querem fazer meditação?

Esperem até os conseguir treinar para isso, provavelmente...

Entretanto, fiquem com a vista do meu spot.




segunda-feira, 8 de junho de 2015

A psicanálise deu-me cabo dos contos de fada.

Quando andava na faculdade, tive de ler um livro sobre a psicanálise dos contos de fadas.

Era um livro bastante escandaloso porque o senhor, basicamente, levava tudo para a cueca, e chegava-se ao fim da obra menos com a sensação de estarmos esclarecidos acerca do tópico e mais com a sensação de que o senhor tinha fugido da casa de malucos que estudava casos freudianos.

A modos que uma pessoa fica com a percepção do mundo da fantasia da nossa infância um bocado alterada, depois de passar por um teste de vida destes, e foi o que aconteceu quando, um dia destes, depois de muitos, muitos anos, dou comigo a cantarolar as pombinhas da Catrina à baby plum e aquilo começa a soar-me mais a Fifty Shades de Catrina...

Começamos logo com as pombinhas da moça, que andam de mão em mão.

Ora, cá na terra, pombinha é um termo que se usa para as partes fodengas de uma senhora, utilizado principalmente por senhoras mais tímidas ou púdicas, ou octogenárias, como a minha tia-avó, além de outras expressões, também bastamente usadas por ela, como pechenaica, pachacha, pardalita, pardaloca ou pardala.

Já os senhores são um bocadinho mais brutos e chamam pachacha ou c***, a não ser que se estejam a referir às suas filhotas, e aí lá sai um pipizito.

Mas vagina, por estes lados, só calha mesmo ao médico, salvo seja.

Pronto, lá andaram a passear, foram aqui, foram ali, tudo na maior.

Depois, a mãe da moça manda-a à fonte, e a desgraçada parte a cantarinha, uma inequívoca referência ao "partir a bilha", expressão sobejamente conhecida em território português.

O que deve querer dizer que a rapariga deve ter algum problema em fechar as pernas, de acordo lá com o senhor do livro, que me deu cabo da mística popular infantil, e foi por causa disto que passei antes para "todos os patinhos sabem bem nadar", na esperança de não me cruzar com nenhum trocadilho à Rosinha...



quarta-feira, 27 de maio de 2015

Ser do Benfica, versão cá de casa.

Cá em casa, é-se do Benfica. 

É tradição do meu lado da família e também do lado do puto. 

Está na história famíliar a forma como a minha mãe aderiu ao clube. 

Era uma gaiata de seis anos e estava a brincar com um jogador de loiça que o meu avô tinha em grande estima, como se fosse uma mariquita. 

Ora um boneco de loiça nas mãos de uma miúda de seis anos é uma coisa que vai dar bronca, eventualmente no tempo.

E foi o que aconteceu. 

Ao ouvir o barulho, os meus avós foram ao quarto, para ver se estava tudo bem com a piolha, e ela, ao achar que tinha feito kaki, só respondeu "sou do Benfica...". 

Estão na história familiar as incontáveis birras de adolescente casmurra e ferrenha benfiquista que eu tinha com o meu padrasto, adulto casmurro e ferrenho portista, com direito a troca de galhardetes e comigo a meter na porta do quarto um poster da selecção a um metro do chão e a ensinar ao meu irmão mais novo, que mal sabia andar ou falar, única e apenas quem era o João Vieira Pinto, na altura e sempre do Benfica!, apesar de achar o Fernando Couto extremamente atractivo, e isto nunca eu ia dar o braço a torcer na altura e admiti-lo. 

O meu irmão, agora, é do Sporting.

Acho que nunca os viu ganhar um campeonato.

Isto durou ate à era Vale e Azevedo.

Hoje em dia, passada a fase parva da adolescência, estamos mais calmos, e lá em casa discute-se futebol tranquilamente, toda a gente torce pela selecção, e torcemos por quem quer que jogue internacionalmente, independentemente da cor da camisola.

No ano passado, grávida com uma barriga enorme aos seis meses, calhou sair do turno às 23h, na Avenida da Liberdade em dia de vitória do campeonato pelo Benfica, o que quer dizer nada de metro nem de autocarros até Picoas, e uma bela caminhada àquelas horas com uma data de malucos festivaleiros na rua, aqui a je agarrada à barrica just in case de apanhar parvos acelerados e descontrolados.

Acabei com a brincadeira quando cheguei à Andrade Corvo, vinha de lá o autocarro vermelho, e uns quantos caramelos começaram a dar uso, numa rua cheia de gente, aos very lights e aos foguetes.

Eu consegui fugir, já a mesma sorte não tiveram as little criancinhas e os patudos que estavam atracados aos festivaleiros...

(depois ainda apanhei com um Benfica-Milão e transportes cheios ao final de um dia de trabalho e huge baby bump, e uma final da taça com o Real e o Atlético, versão festivaleira mas em espanhol...)

Até achei que a pirolita ia ficar traumatizada com isto tudo, mas vamos ver no que dá.

No outro dia, à espera do meu 736, lá calhou outra vez o autocarro vermelho.

O da carris, para não variar, atrasou-se e vinha cheio.......



segunda-feira, 16 de março de 2015

Os animais da minha vida -galinhas, coelhos, patos e afins.


No quintal dos meus avós, mesmo no bairro, que era quase cidade, havia sempre uma capoeira. 

Estávamos habituados a ir com a minha avó buscar os ovos para comer à refeição, e desde sempre soubemos de onde vinham, tal como sabíamos como era ver um pintainho a sair da casca, ou que não se podia mexer muito num coelhinho bebé, porque a mamã coelha o podia rejeitar. 

Vem da minha infância a mania de não comer pato, porque havia um patinho com que eu brincava desde pequenito que, um dia, desapareceu.

Não o encontrei depois de uma tarde a brincar na rua, e fui perguntar à minha avó se tinha visto o pato. 

Pois, tinha visto, sim senhor, estava no forno com arroz, feito em arroz de pato! 

Nesse dia fiquei doente, ganhei aversão a arroz de pato e, tirando um ou outro pedacinho que provei para ver se já gostava, nunca mais comi pato!


E havia sempre um coquicha chamada Poupas. é tradição de família, como ter um cão Vidinhas ou Pirolito.


terça-feira, 3 de março de 2015

Os animais da minha vida - os gatos #1.


O primeiro gato oficial da minha vida foi uma gata branca com manchas pretas à qual nunca tive oportunidade de dar nome: era da ninhada de uma vizinha lá do bairro e ganhou a graça de Lili mas, assim que chegou à nossa casa, apanhou Maria Amélia num acesso criativo e ficou Rita.

 Um ou dois anos depois, os meus tios deram o nome de Ana Rita à minha prima...

Na primeira noite em casa, arranjamos o ninho na marquise, mas a bichinha miava tão aflita, que ganhei coragem para desobedecer ao meu avô, fui buscá-la e meti-a na cama comigo. 

Onde passou a dormir sempre.

Era a gata mais pachorenta do mundo, andava ao pé dos cães e até deixava os cachorritos brincar com ela como se fosse outro cãozito sem se incomodar...


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Os animais da minha vida. Parte 1: os cães.

Lá em casa, por mor do Sr Abel, meu avô, ser caçador, havia sempre cãompanheiros de brincadeira.

Caçador, neste sentido: na época de caça ao coelho, ti Abel levantava-se de madrugada, noite escura (agora tem 80 anos, já não anda nessa vida), para ir com os cães para o monte, todos os domingos e algumas quintas-feiras. Isto durava de Outubro a Dezembro.

No resto do ano, fazia a mesma coisa, com a desculpa de que era para treinar os bichitos.

Mais tarde, percebemos que era para descansar da minha avó, senhora Dona Amélia.

Isto porque, de Outubro a Dezembro, aos domingos e algumas quintas-feiras, quando o ti Abel chegava a casa ao final do dia, novamente noite escura (também não era preciso muito, às 6 horas já era noite...), Maria Amélia ralava-lhe o juizo em duas, e apenas duas, situações:

a) se trouxesse coelhos (mortos, enfim...): "Olha-me pra isto, só me trazes é trabalho, agora é mais coelhos para esfolar, não tenho mais nada que fazer!"

b) se não trouxesse nada: "Olha-me pra isto, o dia todo fora de casa e nem um coelhinho para o jantar!"

De referir que a senhora Dona Amélia era (já não tem pedalada, a idade, e tal e coiso) exímia cozinheira de coelho guisado à caçador, especialidade da zona da Ventosa, sua terra de origem, sendo até conhecida lá na vila (agora cidade) por levar um coelhito pelo Natal, em jeito de agradecimento,  ao médico, ou ao senhor do banco, ou ao farmacêutico, ou a algum vizinho.

De referir também que faz parte da minha formação saber esfolar coelhos e cozinhar coelho guisado à caçador, se bem que não consiga comer o coelho que estive a preparar...

Mas voltando aos canídeos!

Lá em casa, havia a tradição de os cães seguintes herdarem o nome de outros cães que haviam feito parte da família, nomeadamente: Vidinhas, Pirolito, Boneca e, quando éramos miúdos, a Carrucha, a alteração criativa do nome que tínhamos dado a uma nova cadelita, inspirado nos nossos livros de escola, e que era Pituxa, uma Tess que me deram nos anos, e que ficou Tessa e um Farrusco, que era irmão da nossa Carrucha e ficou com a nossa tia-avó, MariRosa.

A minha avó gaba-se de ter ensinado a Carrucha a dançar, e o que é certo é que a sacana da bicha saltaricava com as patas de trás, abanicava as patas da frente e fazia uma festarola quando a Maria Amélia vinha ter com ela!

Ainda hoje nos podemos referir a várias e diferentes gerações de Vidinhas, sem que haja confusão nas histórias, porque todos os Vidinhas da família deixaram as suas marcas na nossa memória.

O Pirolito era o meu preferido, e o mais idoso, quando eu era miúda, além de ser também o mais pachorrento e meloso.

Morreram todos de velhotes.

(Tirando um Vidinhas que morreu atropelado quando a minha mãe tinha 7 anos, numa estrada onde não passavam carros nenhuns, e que ainda hoje a minha mãe chora, porque ela estava de um lado da estrada, o meu tio estava do outro, os dois mandaram o bichito sair de lá e o palerma não se decidiu a tempo. Também a aventesma do condutor devia estar a olhar para o que fazia, iztúpido!)

Este parolo aqui aos saltos é o mais recente Vidinhas, aqui quando ainda era pequenito, mas igualmente totó.

Já não dá pelo nome de Vidinhas, apesar de toda a gente o chamar assim, porque a Dona Amélia, num dos seus acessos criativos, apelidou-o de Bolinhas (ele é uma pequena vaca...), e o sacana só responde por esse nome.

Além dos nossos cãopanheiros, passámos a infância a brincar com uma miniatura de canídeo dos vizinhos do lado, a Dona Adelaide e o Sr Raúl, que dava pelo nome de Andorinha.

Isto durou anos. Tipo, mais anos do que é normal um cão durar.

Depois, percebemos que a Dona Adelaide era adepta acérrima da modalidade "quando morre um cão, arranja-se outro igual e dá-se o mesmo nome".

Pelos vistos, conhecemos umas quantas sequências de Andorinhas...



terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O dia em que quase quase tive de ir buscar t-shirts à gaveta do homem que me fez a filha.

Esta foi a última foto da pança, horas antes da pequena pirolita manifestar que queria vir conhecer o mundo naquela data, 15 de Outubro.

Não lhe noto grande diferença nas últimas semanas. Estava, provavelmente, um pouco maior, mas nada de visível a olho nu.

A última vez que me pesei, nessa última semana, já chegava aos quase 69 kgs. Eu era uma catraia de 50 kgs...

Disseram-me uma data de coisas que não se concretizaram:

 "Ah e tal, a cara vai inchar". Não inchou.
"Ah e tal, vais inchar por todos os lados". Nope.
"A barriga ainda tem de descair mais". A barriga nem se mexeu.
"É na mudança da lua". Pois, uma delas, eventualmente...

Isto, na cabeça de uma mamã de primeira viagem um bocadinho stressada com a teoria da médica de "tem de ser cesariana e no hospital privado onde trabalho porque o bebé pode não descer", era uma data de macaquinhos alucinados aos pulos pelo cérebro fora.

Afinal, a Baby Plum era uma pequena baby-bomba-relógio, e saiu do quentinho quando quis, deitando ao ar as teorias todas e mais algumas que me meteram à frente.

Cá para mim, ainda acho que a sacaninha esteve à espera que as avós estivessem juntas e que houvesse, por acaso, um passeio combinado, para vir meter o seu baby-bedelho no assunto...



(PS: Já estava a ficar sem t-shirts onde me conseguisse enfiar, (esta foi de uma altura da gravidez em que pensei qualquer coisa do género "isto já não vai crescer muito mais") e farta da moda das riscas! Mais uma semanas, e ficava deprimida!)

domingo, 4 de janeiro de 2015

Elegia em honra de uns pastéis que foram para o galheto, ou de como, às vezes, me apetecia mandar o meu cunhado pela janela.

O meu cunhado é do signo Leão, não sei se como desculpa para as porcarias que faz na vida, se para o alto nível de bazófia que tem, mas é um bocado como aquelas pessoas que, sendo habitualmente (e quando digo habitualmente quero dizer quase sempre) fazedoras de kaki, gostam de evidenciar as kakis dos outros, de forma a que a deles passe despercebida, até porque, por acaso, têm um curso de cozinheiro que não usam para mais nada senão para mostrar que sabem cozinhar melhor que o comum mortal (já que, por motivos misteriosos, claro, são persona non grata  nos barcos de cruzeiro onde trabalhavam nessa função) e o que é coisa que é fixe de evidenciar umas quantas vezes, quanto mais não seja para insuflar o ego.

Isto porque, no outro dia, fiz uma grande kaki com o raio de uns pastéis de bacalhau de marca branca quando usei as placas vitro cerâmicas na casa dos meus sogros, com uma noite em branco em cima dos costados por estar tão entupida que nem conseguia respirar, um dia cansativo, uma constipação e uma dose de elefante de sinusite em cima, em que mal conseguia abrir os olhos, o que levou o meu incrédulo cunhado a dar-me uma lição de "como fritar um rissol", e vir depois perguntar/afirmar ao irmão " então a tua mulher nem sabe fritar um rissol?".

Por isso, acho por bem esclarecer que, sim, eu até sei fritar a porcaria do rissol mas é num fogão normal e não naquela coisa do demo que são as placas de vitro cerâmica, e não é com aquele tacho psicótico, o que me demorou quase uma hora a aquecer o óleo, sendo que, no meu fogão da idade da pedra, com este tempo, o óleo já estaria mas era queimado, e também já não havia rissóis para ninguém!

É a mesma coisa que dizer que a minha mãe não sabe fazer bolos só porque queima o fundo do bolo de maçã e o deixa meio cru por dentro ao usar o meu forno com manhas pela primeira vez, coisa que qualquer pessoa com dois dedos de testa, e conhecendo os bolos da minha mãe, sabe que é um absurdo, ou que o peixe é um incompetente porque não consegue trepar a uma árvore. 

Mas se serve para a pessoa passar pelo melhor cozinheiro deste mundo e arredores, uáréva, é para o lado que eu durmo melhor!

 Na imagem, não uns rissóis, mas umas muy saborosas pataniscas de courgette,  correctamente fritas pela minha pessoa, mas num fogão normal, acepipe mais difícil de alcancar, uma vez que é necessário ao cozinheiro em questão dominar a técnica de ralar a courgette e a técnica de misturar farinha, ovo, água e temperos na consistência certa e sem grumos, além da de saber fritar em óleo a ferver, claro!


sábado, 27 de dezembro de 2014

Labuta familiar na cozinha em véspera de Natal

Nesta casa, mete-se toda a gente na cozinha:

Quem cozinha os doces, habitualmente as mulheres, e desta vez eu e a minha sogra.

Na casa dos meus avós, acrescenta-se a minha avó, Dona Maria Amélia, basicamente, inventora, a minha mãe, doceira excepcional que faz tudo a olho, às vezes a Maria Rosa, a minha tia-avó, que vem de passagem depois de andar a laurear a pevide na "vila" (é cidade desde 79, mas ainda chamamos "vila" ao centro da terreola...), a minha tia dos Estados Unidos a telefonar e a marcar também presença, com sorte a minha prima Rita, que agora vive em Leiria.

Os homens da casa também participam: o Puto, perfeitamente capacitado para as lides culinárias, e o meu avô, homem simples do campo, educado daquela maneira que diz que o lugar das mulheres é na cozinha e homem não entra, mas que sabe potes de agricultura, de conhecimentos da terra e que me ensinou uns valiosos truques, lá está, culinários, e bastante antigos. O meu avô, supostamente, está na sala, longe da azáfama, mas adivinha quando as primeiras filhoses estão a sair do açúcar e da canela, ainda a ferver, e sabe que é altura de as vir provar.

O meu padrasto, transmontano de gema, trata do almoço típico do dia de Natal, que junta a família toda à mesa.

Este ano, a nova pequena aquisição familiar também marcou presença na cozinha. Aliás, ela adora os barulhos da cozinha, levo-a para lá muitas vezes.

No seu primeiro Natal, a minha mãe já lhe forneceu o seu primeiro avental. Daqui a nada já nos ajuda a amassar e fazer as broas saloias.

(as receitas natalícias deste ano estão ali no blog ao lado: filhoses, torta de laranja e arroz doce, claro!)


Perdoem-me!!

Perdoem-me não reparar que mudaram de penteado!

Eu sei que é a época disso, mas desde já me justifico: eu sou uma pessoa distraída e venho habituada àquela técnica do "para se notar a alteração do penteado, tem de se fazer uma permanente à Maria Amélia dos anos 80 no cabeleireiro da Dona Fátima"!

Isso sim, era uma mudança visível e considerável.

Do género aparecer em casa a tresandar a laca e com uma coisa que parecia um bibelot da casa do Marco Paulo na cabeça.

A não ser que a pessoa tenha a trunfa à Jon Bon Jovi dos tempos áureos e o corte à escovinha.

Poça, aí até eu reparo!



sábado, 20 de dezembro de 2014

Momento "pela boca morre o peixe" da questão.

Na semana em que a pirolita estava prevista nascer, mamãe já se sentia incomodada com algumas contracções.

Nada de muito evidente, mas os pais de primeira viagem levam as coisas muito a sério, especialmente se têm uma médica a querer sacar uma cesariana no hospital particular onde trabalha habitualmente.

Ora quando a médica de serviço na urgência do hospital público pergunta qual o nível da dor que estou a sentir, não sabendo muito bem como o definir, saio-me com a tirada esperto-parva de "bem, não está nada de intolerável, já fiquei mais dorida de bater com o dedo mindinho do pé na quina de uma cadeira..."

(pelo menos não respondi como os nossos fregueses das apólices Angolanas, devem ter andado todos na mesma escola, quando perguntamos, pelo telefone, "então do que é que se queixa, de que especialidade é que precisa?", respondem quase sempre "Estou incomodado", e depois temos de andar a fazer mais uma data de perguntas directas para saber se o "incomodado" é dor de cabeça, vómitos, dor na perna, dor de barriga, febre e etc...).

Uma semana depois, nasce a criança, as contracções são daquelas filhas da mãe que dão nos rins, uma pessoa até tem ganas de trepar pelas paredes, até vir a epidural e, a partir daí, é mais o nervoso miudinho de irmos conhecer o pequeno girino que nos vinha a crescer na barriga e no coração, e que nos vai andar no coração e já não tanto na barriga (só umas lonchazitas...) o resto da vida.

O parto lá se fez, faça lá um bocadinho de força, agora mais outro bocadinho, agora espere lá, que é para o pai estar também aqui ao pé, agora um dois três, mais um dois três outra vez, e já cá temos uma coisinha em cima de nós, a encher a sala de partos com um nível 10 de apgar.

Depois de uma meia dúzia de dias, mais abananada com a novidade da coisa e com as novas noitadas do que propriamente com aquela confusão toda que se passou entre as minhas pernas, já me sinto perfeitamente restabelecida (até porque, lá no hospital, devagarinho e com jeitinho, nos vão incentivando a mexer e a caminhar um pouco), o que quer dizer, em termos práticos, aproveitar o tempo ameno para dar um passeio aqui pela rua, coisa que faço toda lampeira, quase sem dificuldade física nenhuma, e toda orgulhosa da coisinha mini que levávamos no carrinho.

Uns dias depois, derivado do péssimo hábito que tenho de andar descalça em casa e por ter o carrinho com o berço ali encaixado do meu lado da cama, dou uma valente castanhada na roda, daquelas em que se ouve um "crac" e em que parece que o dedo até se vira todo, o que me deixa coxa e entrevada durante um par de semanas e com o aspecto de "coitadinha, deve ter tido um parto tããão difícil!".

Não, senhores. O parto foi perfeitamente tolerável - gracias, epidural! - mas a sacana da castanhada com o dedo mindinho do pé na roda do carrinho é que me lixou a reputação...



segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A nostalgia da gravidez. #57345897

Ah, aquele exame ao nível da Diabetes Gestacional! Fez lembrar-me a Floribela: tão doce que enjoa, caragos!!

A sorte é que foi mais rápido que a novela, perdi ali uma manhã, fico com uma recordação para toda a vida, e não o vou ver nos próximos tempos!

E não saí da clínica a falar com as fadinhas das árvores! Não, que eu falo directamente com as árvores, sem cá a interferência de intermediários, quando posso, no jardim, cumprimento-lhes nos ramos fortes e na beleza viçosa das folhas, e dou-lhes festinhas e, muitas vezes, sou aquela senhora maluca que está abraçada à árvore (frequentemente acompanhada do senhor que está a tirar a fotografia do momento).

Também falo com os gatos, falava com a pirolita quando estava na barriga, e falo com ela agora, quando ainda mal me dá troco. 

Somos uma sensação no supermercado!


(na imagem, mamãe agarrada a árvore enorme em Adaúfe, com a pirolita dentro da barriga, e o senhor a tirar a foto do momento)

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Baby Plum Amélizada.

Baby Plum com o baby resmungo do sono.

Mamãe mete o cd da banda sonora a tocar.

Baby Plum cala-se e põe-se a escutar, atenta.

Baby Plum adormece tranquilamente.

(Com alguns abanicos na alcofa, claro)

Temos futuro....

Além de que os peluches do berço já estão todos oitentizados. Sim, um urso que se chama Winnie the Pooh, uma cabrinha branca igual à da Heidi que se chama Branquinha, um cão com o bigode do Willy Fog e uma gata chamada Milady!

Multitasking 2.0.

É evidente a capacidade da Baby Plum para comer e encher a fralda ao mesmo tempo.

Já a competência de comer, dormir e encher a fralda ao mesmo tempo, ainda deve estar longe de conseguir atingir.

Parece apenas um bebé que não sabe o que está a fazer...



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Lógica, falta dela, A vida dá voltas, Ainda dou uma pantufada a alguém, Estou que nem posso, chamem o que quiserem a esta posta!

Ok, estive um mês inteiro sem ganas de vir actualizar o blog.

Olhava para isto e pensava "Não tenho pachorra!"

Olho para o meu trabalho e vejo que, sim, sou uma sortuda porque tenho emprego, que se faz bem e não dá chatices mas, bem vistas as coisas, estou a aturar gente que não sabe trabalhar, gente que sobe na horizontal e chateia os cornos aos colegas, gente que não se sabe organizar e chateia os cornos aos colegas, gente que "cai bem" com os supervisores e depois vem chatear os cornos aos colegas, que não têm pachorra nem personalidade para "dar graxa" só porque sim, com folgas que não lembram nem ao capeta e fins de semana de meia dose.

Saio mais tarde, corto nas pausas, vou almoçar a horas estúpidas, tento desdobrar-me em três ou quatro, e tratam-me como se, sim, fosse esse o meu dever, quando, na realidade, o meu dever é trabalhar bem, o que faço, e sair a horas decentes.

Uma das colegas/companheira/outra doida, fartou-se, não os quis aturar, encontrou uma coisa melhor, e saiu. A pseudo-supervisora, que antes implicava com esta colega, implica agora comigo... Implicar com o Cromagnon que, esse sim, da azo a reclamações? Ná! Implicar com a Lassie, amiga do(s) peito(s) da Pitazita, que mete os pés pelas mãos, que escreve coisas como "Opel Corça" no processo e deu (deram as duas) reclamação porque deixou apeada na auto-estrada e esposa de um amigo do Director, sozinha e de noite? Ná....

Há dias em que me apetece largar a porcaria do telefone e vir apanhar ar, porque estou farta de ter de dar ao litro quando a colega do lado está com o telefone desligado "porque tem de fazer coisas importantes".

Venho para casa chateada, acordo a meio da noite a pensar nas situações, vou para o trabalho desmotivada...

Resumindo, ando chateada com estes idiotas, e isso reflecte-se nas outras coisas: não tenho pachorra para as coisas que gosto de fazer, quando devia acontecer exactamente o contrário, e ter vontade de as fazer para me esquecer destes gajos.

A chatice foi que comecei nesta função com colegas impecáveis, doidos e muito profissionais, e uma Supervisora que era do melhor: justa, imparcial, um capitão de navio.

Logo, chego aqui e comparo com a equipa-maravilha e estes são obviamente medíocres...

Ontem foi um dia bom. Está bem, foi folga...

Limpei e arrumei a casa toda.

Arejei os quartos e os armários, organizei o crochet do meu cesto, espreitei os livros de receitas, fiz o jantar para o meu Puto, enfeitei a mesa de Samhain, fiz Doce de Tomate para oferecer às mães e à amiga que vem cá hoje jantar, fiz tarte de maçã só porque sim, porque éramos só os dois, hoje é que temos o jantar de início do ano celta, mas ontem foi a despedida do anterior e nós merecíamos!

É tempo de deitar fora o que não faz falta, de arrumar as prateleiras da minha cabeça, de arejar os cantinhos do meu cérebro.

O que é que quero fazer?

Aquele trabalho, bem vistas as coisas, não tem futuro. Pode ter, mas pode não ter.

Tenho colegas que "cairam mal" e estão como operadores há 12 anos. Tenho colegas que "cairam bem" e ao fim de uns meses estão com um horário das 9h às 18h com folga ao fim de semana. Eu não vou cair bem porque não dou graxa a ninguém. Dei bolachas de canela ao Director, é certo, mas foi de boa vontade, não foi para subir. Para ele, sou só ali um número com uns headsets na cabeça.

E não é o que quero.

Quero ter uma vida calma, útil, sem aturar gente com problemas na cabeça, fazer doces e mantas para os meus amigos, ler e escrever histórias interessantes, dedicar-me à minha família, quem sabe trabalhar para ter uma quinta, ou uma livraria lá na aldeia ao pé do mar, onde podemos dar passeios com o cheiro da maresia todos os dias, sem levar com as greves do metro e as correrias de gente insensível e mais preocupada com o seu próprio umbigo do que com a harmonia dos universo!

Nos entretantos, welcome to my new life: amanhã entro e saio a horas (duh, há menos gente e o ambiente é mais calmo E não está lá a supervisão, o que quer dizer que a pitazita não vai estar tão concentrada em chatear o juízo às pessoas porque está no facebook), hoje vamos cá ter os amigos para uma reunião de bom início de ano celta, cheia de boas vibrações e planos luminosos de futuro e inspirações, vou caminhar até ao jardim só porque sim, porque é Outono e as árvores estão lindas, vou meter o crochet em dia e vou-me enfiar na cozinha a fazer coisas boas!

(Já estive em amena cavaqueira com mamãe, que também vai fazer broas na casa dos meus avós, e que agora, em vez de ir ver as revistas do chefe Silva, como fazia antes, vai ver à internet! Além de que o meu avô, que foi criado na maneira do "homem não entra na cozinha" mas que antes o fazia para vir roubar broas e filhoses, lhe está para lá a dar as instruções, e não a minha avó. Isto quando a gente acha que já viu tudo... surpreende-se e acorda para a vida!)




domingo, 6 de outubro de 2013

Posso apenas dizer que foi por solidariedade à causa!

Ontem, mamãe foi ver o Tóne.

Foi o primeiro concerto do Tóne que mamãe teve a alegria de ver.

Nas semanas antes, mamãe não se calava com o Tóne.

Nos dias antes, mamãe não se calava com o raio do Tóne.

Hoje, acordei com a porra de uma música do Tóne na cabeça, não tinha nada a jeito para tirar aquilo, aguentei parte do dia de trabalho com o Tóne a cantar, e só parou - mais ou menos! - quando houve uma alma caridosa que ligou para lá uma estação de rádio castelhana.

Mamãe gostou muito da festarola. Doem-lhe os pés, mas gostou muito.



domingo, 19 de maio de 2013

A gata foi-se à Ágata.

Pois parece que as felinas já se encontram perfeitamente instaladas no seu lar, e até se percebe que tentam interagir com os vizinhos, nomeadamente Zozas Francisca a descer até à porta do andar de baixo sempre que pode para snifar o felinaço lá de casa, e também as duas sentadas em cima da mesa da sala a ver os pombos, o que me obriga, volta e meia, a ter de limpar os vestígios das suas patinhas de pompom de uma mesa preta...

Neste parâmetro, há que informar que temos a pomba Ágata, mãe solteira, e os seus dois filhotes, Marquito e Francisquinho, instalados no canteiro da janela, facto que as podia regalar, não fosse o pormenor de haver ali um vidro.

Um vidro, precisamente, onde Doña Zozas Francisca marrou no outro dia, fazendo um grande alvoroço e estardalhaço cá em casa, fora o pratinho que ainda gozo com ela e que tive mesmo muita pena de não imortalizar. Literalmente, a gata atirou-se à Ágata, mas não teve sorte nenhuma e ainda ficou um bocado abananada.

Ontem, em vez de andar a laurear a pevide por museus gratuitos, andei a mostrar Lisboa a mamãe (que não me trouxe arroz-doce MAS que se fartou de gabar do que fez um dia antes...) e a sogrinha.

Isto porque mamãe, cagunfas assumida que não gosta de sair da terrinha, ficou um tanto escaldada de ter filhotes longe, e quer aproveitar que os tem agora perto para fazer coisas doudas, como apanhar um autocarro sozinha até Lisboa, recusar as cuecas vermelhas com as bolas brancas (eu vi!!) que a cigana lhe quis vender no Campo Grande, ir até à Baixa de autocarro, a ver as vistas, gramar com uma Benção das Fitas no Terreiro do Paço, conhecer a Sé e a casa do Santo António, passear por Alfama, ver a vista do castelo, ir num eléctrico cheio de turistas até ao Chiado, espreitar a Vida Portuguesa, descer a Garrett e a Rua do Carmo, passear pelo Rossio e abancar para um chá ao pé do Coliseu.

Como o resto da semana foi passado em entrevistas e a andar de um lado para o outro, vou mas é aproveitar este Domingo de tranquilidade para experimentar como é que funciona o forno para fazer bolos, que hoje parece que é o Dia de Fazer Bolos e o Puto chega mais logo do fim-de-semana de acampamento da empresa dele, que começo a formação no trabalho novo já na Terça-feira e desconfio que se vai acabar este tempo livre todo para andar a experimentar invenções na cozinha.

De referir que ainda não sei onde é que raio enfiei o carregador da máquina fotográfica NEM o mini-cabo para passar as fotos para o pc, pelo que fotos, a ver se dão pelo telemóvel mas, como se pode ver por esta daqui de baixo, acho que é capaz de se perceber alguma coisa.



Felinas instaladas no meio dos gatos.